Na tarde desta quinta-feira, ambulantes voltaram a ocupar a orla de Copacabana em protesto contra a Operação Tolerância Zero. O movimento, que já se repete há semanas, reúne centenas de trabalhadores informais que denunciam abusos na fiscalização e pedem uma política de regularização, não de repressão. A prefeitura do Rio, por sua vez, afirma que a operação visa coibir o comércio ilegal e devolver a ordem ao bairro. Mas quem sai ganhando nessa história?
A Operação Tolerância Zero, lançada pela prefeitura do Rio em abril de 2026, intensificou a fiscalização de ambulantes em Copacabana. A ação, coordenada pela Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop), prevê apreensão de mercadorias, aplicação de multas e, em casos de reincidência, condução à delegacia. Segundo a prefeitura, o objetivo é combater o comércio ilegal, a poluição sonora e a obstrução de vias públicas. Dados oficiais indicam que, nos primeiros dois meses, foram apreendidas mais de 3 toneladas de mercadorias, entre alimentos, bebidas e produtos eletrônicos.
Por que os ambulantes estão protestando?
Os ambulantes alegam que a operação é desproporcional e criminaliza o trabalho informal. Eles denunciam que agentes da Seop agem com violência, apreendendo mercadorias sem nota fiscal e sem dar prazo para devolução. Muitos desses trabalhadores dependem da venda diária para sustentar suas famílias. A perda de estoque, para eles, significa semanas sem renda.
O que eles pedem?
- Regularização: que a prefeitura crie um cadastro oficial para ambulantes, com regras claras de horário e local de trabalho.
- Diálogo: que a Seop ouça as associações de ambulantes antes de definir as regras.
- Devolução de mercadorias: que os produtos apreendidos sejam devolvidos em até 48 horas, mediante comprovação de origem.
Segundo a Associação de Ambulantes de Copacabana, cerca de 2 mil trabalhadores informais atuam no bairro. Desses, aproximadamente 60% não têm qualquer registro na prefeitura. A entidade afirma que já protocolou um pedido de reunião com o secretário de Ordem Pública, mas até agora não obteve resposta.
O que diz a prefeitura?
A prefeitura do Rio, por meio da Seop, afirma que a Operação Tolerância Zero segue a lei e que não há negociação com quem atua na ilegalidade. Em nota, o órgão disse que "a ordem urbana não é negociável" e que os ambulantes que desejam trabalhar legalmente podem procurar a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico para se cadastrar no programa "Rio Legal", que oferece licenças temporárias para feiras e eventos.
No entanto, críticos apontam que o "Rio Legal" tem vagas limitadas e não abrange a realidade de quem trabalha na praia. O programa, lançado em 2025, oferece 500 licenças para todo o município, número insuficiente para os mais de 10 mil ambulantes estimados pela UFRJ em 2024.
Os embates nas ruas
Os protestos em Copacabana têm se intensificado. Na última segunda-feira, ambulantes fecharam a Avenida Atlântica por duas horas, causando engarrafamentos e confrontos com a polícia. Três pessoas foram detidas por desacato. Relatos de ambulantes indicam que a Guarda Municipal usou spray de pimenta para dispersar o grupo, o que a corporação nega.
Vale a pena parar para pensar: a repressão resolve? Em bairros como Ipanema e Leblon, onde a fiscalização é menos ostensiva, o número de ambulantes cresceu 20% no último ano, segundo a Seop. Isso sugere que a operação apenas desloca o problema, não o resolve.
O que pode mudar?
A pressão dos protestos já gerou algum efeito. No último dia 10, a Câmara dos Vereadores do Rio aprovou a criação de uma comissão especial para discutir a regulamentação do comércio informal na orla. A comissão, que será presidida pelo vereador Carlos Bolsonaro (PL), tem 90 dias para apresentar um relatório.
Enquanto isso, os ambulantes prometem novos protestos. Eles querem que a prefeitura suspenda a Operação Tolerância Zero até que a comissão apresente suas conclusões. A prefeitura, por ora, não cedeu.
Perguntas Frequentes
O que é a Operação Tolerância Zero?
É uma ação da prefeitura do Rio, iniciada em abril de 2026, que intensifica a fiscalização de ambulantes em Copacabana, com apreensão de mercadorias e multas.
Por que os ambulantes estão protestando?
Eles alegam que a operação é abusiva, criminaliza o trabalho informal e não oferece alternativas de regularização.
A prefeitura já se pronunciou?
Sim. A Seop afirma que a operação segue a lei e que os ambulantes podem se cadastrar no programa "Rio Legal" para obter licenças.
Quantos ambulantes atuam em Copacabana?
Segundo a Associação de Ambulantes, cerca de 2 mil trabalhadores informais atuam no bairro.
O que a Câmara dos Vereadores está fazendo?
Criou uma comissão especial para discutir a regulamentação do comércio informal na orla, com prazo de 90 dias para apresentar um relatório.
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