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PT, PC do B e PV vão à Justiça contra Flávio por fala sobre urnas: entenda

ResumoA Federação Brasil Esperança (PT, PC do B e PV) protocolou representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro, Gustavo Gayer e Júlia Zanatta. A ação acusa os parlamentares de articularem desinformação sobre o sistema eletrônico de votação e pede a remoção de conteúdos.

A Federação Brasil Esperança (PT, PC do B e PV) protocolou representação no TSE contra Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro, Gustavo Gayer e Júlia Zanatta. Os partidos acusam os quatro de articularem desinformação sobre o sistema eletrônico de votação, pedindo remoção de conteúdos

Wesley Tanaka
PT, PC do B e PV vão à Justiça contra Flávio por fala sobre urnas: entenda

PT, PC do B e PV vão à Justiça contra Flávio por fala sobre urnas: entenda — Foto: Reprodução / Bombou na Web

Por que PT, PC do B e PV foram à Justiça contra Flávio Bolsonaro?

Se você acompanha o noticiário político, já deve ter visto: a Federação Brasil Esperança, que reúne PT, PC do B e PV, protocolou na quarta-feira (22 de julho de 2026) uma representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Também foram incluídos na ação os deputados federais Gustavo Gayer (PL-GO) e Júlia Zanatta (PL-SC).

Os partidos afirmam que esses quatro políticos realizaram um movimento articulado de desinformação contra a integridade do sistema eletrônico de votação. Eles teriam atuado de forma coordenada para descontextualizar um documento dos Estados Unidos sobre as eleições venezuelanas e espalhar informações falsas a respeito das urnas brasileiras.

O que a federação pede na representação?

A federação pede que a Justiça Eleitoral determine a remoção imediata das redes sociais de todos os conteúdos relacionados ao tema. Solicita ainda que Meta, X, Google, TikTok e Rumble adotem medidas para impedir a disseminação e o impulsionamento de publicações semelhantes. No julgamento definitivo, a coligação pede a aplicação de multa de R$ 30.000 para cada um dos representados.

Segundo os partidos, a ação afeta a credibilidade do Poder Judiciário e causa "repercussão nefasta na legitimidade do pleito, na estabilidade do Estado democrático de direito e na confiança dos eleitores nas urnas eletrônicas, utilizadas há 25 anos sem nenhuma prova de adulterações".

O evento que motivou a ação: "Debatendo o Brasil"

A petição citou o evento "Debatendo o Brasil" realizado na terça-feira (21 de julho), em Brasília, no qual Flávio questionou sem provas a segurança das urnas eletrônicas e defendeu o envio de mais observadores internacionais para acompanhar as eleições de outubro.

No evento, o senador citou documentos da CIA divulgados pelo governo norte-americano sobre possíveis vulnerabilidades em sistemas eletrônicos de votação na Venezuela. Sugeriu de forma incorreta que equipamentos produzidos pela Smartmatic, empresa mencionada nos relatórios, também teriam sido utilizados no Brasil.

Os partidos declararam que o senador "utilizou o posto de pré-candidato (...) para mentir quanto ao sistema eleitoral brasileiro, conectando fato externo (relatório da CIA) às ilações que lhe serviram de justificativa para questionar a seriedade do sistema eleitoral brasileiro e deste Tribunal Superior Eleitoral".

Disseram ainda que o fato de Flávio Bolsonaro ter citado o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, é "circunstância agravante e reveladora do dolo específico da conduta" ao tratar o caso como "narrativa de perseguição política a ser reafirmada".

Como a rede de desinformação teria atuado, segundo os partidos

Para as legendas, "não é possível fechar os olhos para os efeitos antidemocráticos de discursos violentos e de mentiras que coloquem em xeque a credibilidade da Justiça Eleitoral".

"A experiência vivida pelo Brasil de meados de 2021 a 2022 demonstrou, de forma cabal, que o ataque às urnas eletrônicas não nasce pronto e acabado na fala de uma única autoridade: ele é construído, testado e amplificado, em etapas sucessivas, por uma rede de atores que se retroalimentam, até que a tese enganosa atinja o patamar de aceitação e repercussão necessário para ser encampada pela figura política de maior densidade e visibilidade de um grupo", diz a representação.

A federação afirma que o grupo utilizou os documentos de inteligência para criar uma ofensiva de questionamentos ao sistema eleitoral.

Segundo as siglas, Júlia Zanatta iniciou a movimentação em 17 de julho, quando publicou o relatório nas redes sociais e tentou associá-lo ao PT e a lideranças da esquerda latino-americana.

Em seguida, os partidos afirmam que Eduardo Bolsonaro e Gustavo Gayer ajudaram a manter o tema em circulação. Gayer publicou uma referência à Smartmatic, retomando uma informação antiga e desmentida pelo TSE sobre uma suposta participação da companhia na produção ou na programação das urnas brasileiras.

"A atuação identificada pode ser o início de uma nova estrutura de desinformação eleitoral semelhante à que preparou o terreno para os ataques de 2022 e para a tentativa de golpe após a vitória do presidente Lula", diz a federação em nota.

Como funcionam as urnas eletrônicas? Entenda a segurança

As urnas eletrônicas operam sem qualquer tipo de mecanismo que permita conexão com a internet. Utilizam sistema operacional adaptado e mecanismos de criptografia, assinaturas digitais e resumos digitais para criar uma cadeia de confiança. Assim, só programas e mídias oficiais gerados pelo TSE são executados em aparelhos certificados, o que bloqueia a utilização de softwares não autorizados.

O sistema conta com verificações permanentes e auditáveis por partidos políticos, Ministério Público, OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e pela sociedade civil. Entre as etapas de checagem estão os TPS (Testes Públicos de Segurança) e a Cerimônia de Votação Paralela, na qual urnas sorteadas passam por votação simultânea em audiência pública, com conferência em cédulas de papel e gravação em vídeo.

Além disso, o BU (Boletim de Urna), o RDV (Registro Digital do Voto) e os relatórios de sistema possuem assinatura digital que impede alterações e permite a conferência pública dos resultados.

O que diz a defesa de Flávio Bolsonaro?

Em nota ao Poder360, a assessoria do senador negou que ele tenha questionado a integridade das urnas. Segundo o texto, ele se "limitou a relatar 2 fatos públicos e amplamente divulgados pela imprensa".

A íntegra do texto encaminhado diz: "Não é verdade que o pré-candidato Flávio Bolsonaro tenha questionado a integridade do sistema de votações no Brasil. Em sua fala, o pré-candidato se limitou a relatar dois fatos públicos e amplamente divulgados pela imprensa: 1) o fato originalmente gerador da inelegibilidade de seu pai, Jair Bolsonaro (uma notória reunião com embaixadores); 2) um relatório recentemente divulgado pela CIA, a respeito de fraudes nas eleições venezuelanas. Em sua fala, que é brevíssima neste ponto, o pré-candidato Flávio Bolsonaro afirma expressamente que 'não está questionando o sistema de votação brasileiro' e exorta os diplomatas ali presentes a mandarem o maior número possível de representantes em missões de observação internacional. Afastada qualquer descontextualização das falas do pré-candidato, sua equipe de pré-campanha reafirma sua integral confiança no sistema eleitoral brasileiro e sua crença irrestrita de que as missões de observação internacional devem ser fortemente estimuladas, pois contribuem para o aperfeiçoamento do processo eleitoral, ampliando a transparência, a integridade e a confiança nas eleições."

O Poder360 procurou os deputados federais Gustavo Gayer e Júlia Zanatta por meio de mensagem no Whatsapp para perguntar se gostariam de se manifestar a respeito da representação. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada.

Perguntas Frequentes

O que é a Federação Brasil Esperança?

É a coligação formada pelos partidos PT, PC do B e PV, que protocolou a representação no TSE.

Quem são os alvos da representação?

Flávio Bolsonaro (senador e pré-candidato à Presidência), Eduardo Bolsonaro (ex-deputado federal), Gustavo Gayer e Júlia Zanatta (deputados federais).

Qual o valor da multa pedida?

A federação pede multa de R$ 30.000 para cada um dos representados.

O que a defesa de Flávio Bolsonaro alega?

A assessoria nega que ele tenha questionado a integridade das urnas, dizendo que ele apenas relatou fatos públicos.

As urnas eletrônicas são seguras?

Sim. Elas não têm conexão com a internet, usam criptografia e são auditáveis por partidos, MP, OAB e sociedade civil.

entenda como funciona a segurança das urnas eletrônicas veja outras ações de desinformação nas eleições saiba mais sobre o TSE e as regras eleitorais

Wesley Tanaka

Editoria Virais

Wesley Tanaka cobre o setor de meios de pagamento e crédito no Bombou na Web. Análises técnicas, sem viés comercial.