# Rubio diz que terrorismo é fruto da "esquerda radical": análise

> Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA, afirmou que o terrorismo é fruto da "esquerda radical". Dados do Departamento de Estado indicam origens diversas para grupos terroristas, incluindo extremismo religioso e nacionalismo. A declaração gerou debate sobre a simplificação de causas complexas do fenômeno.

*Bombou na Web · Virais · 16 de julho de 2026 · Larissa Quintela*

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse que o terrorismo é fruto da "esquerda radical". A declaração gerou debate. Dados do Departamento de Estado indicam que grupos terroristas têm origens diversas, incluindo extremismo religioso e nacionalismo.

O que leva alguém a cometer um ato terrorista? Para o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, a resposta é clara: a "esquerda radical". A declaração, dada em entrevista à Fox News, gerou controvérsia e reacendeu o debate sobre as origens do terrorismo. Dados oficiais, no entanto, indicam um cenário mais complexo.

Segundo o Departamento de Estado dos EUA, em seu relatório anual sobre terrorismo, os grupos classificados como terroristas têm motivações que vão do extremismo religioso ao nacionalismo étnico, passando por separatismo e ideologias de extrema-direita. A afirmação de Rubio, portanto, contrasta com a diversidade de causas documentadas.

Rubio, que assumiu o cargo em janeiro de 2025, fez a declaração durante um segmento sobre segurança nacional. "O terrorismo que vemos hoje é, em grande parte, fruto da esquerda radical que infiltrou nossas instituições", disse ele. A fala foi imediatamente repercutida por veículos conservadores e criticada por analistas de política externa.

### O que diz o relatório oficial

O "Country Reports on Terrorism 2024", publicado pelo Departamento de Estado, lista 68 organizações estrangeiras como terroristas. Entre elas, grupos como Estado Islâmico (EI), Al-Qaeda, Hamas e Hezbollah. Nenhum deles é classificado como de "esquerda radical" no documento. A maioria é descrita como islamista radical ou nacionalista palestina.

O relatório também aponta que, em 2024, os ataques terroristas aumentaram 22% globalmente, com o maior número de incidentes no Sahel, na África, e no Afeganistão. A motivação principal dos ataques foi o extremismo religioso, seguido por conflitos étnicos e separatistas.

### Reações à declaração

A fala de Rubio foi criticada por especialistas em segurança internacional. "Reduzir o terrorismo a uma única ideologia é um erro analítico", afirmou a cientista política Maria Silva, da USP. "O terrorismo é um fenômeno multifacetado. Ignorar isso pode levar a políticas ineficazes."

Por outro lado, setores conservadores americanos elogiaram a declaração. O comentarista político Ben Shapiro, em seu podcast, disse que Rubio "finalmente nomeou o problema". A polarização reflete o ambiente político dos EUA, onde o termo "esquerda radical" é usado para descrever desde democratas progressistas até movimentos antifa.

### Limitações da análise

É importante notar que a declaração de Rubio não foi acompanhada de dados ou exemplos concretos. O Departamento de Estado não emitiu comunicado oficial corroborando a afirmação. Além disso, o conceito de "esquerda radical" é vago e varia conforme o contexto. Nos EUA, o FBI classifica como "extremismo de esquerda" grupos como o Animal Liberation Front, mas eles representam uma fração mínima dos atos terroristas no país.

A pergunta certa é outra: por que um secretário de Estado faz uma afirmação tão ampla e sem evidências? A resposta pode estar na política doméstica. Rubio é visto como potencial candidato republicano à presidência em 2028, e declarações fortes sobre segurança nacional costumam agradar a base conservadora.

### Contexto histórico

A associação entre esquerda e terrorismo não é nova. Durante a Guerra Fria, os EUA acusaram a União Soviética de patrocinar grupos terroristas na América Latina e África. Mais recentemente, o governo Trump classificou organizações como o Partido dos Panteras Negras como "extremistas de esquerda". No entanto, o consenso acadêmico é que o terrorismo de esquerda foi relevante nas décadas de 1960-70, mas perdeu força após o fim da URSS.

### O que ainda falta provar

Rubio não apresentou nenhum dado que vincule a "esquerda radical" aos principais ataques terroristas dos últimos anos. O 11 de Setembro foi executado pela Al-Qaeda, de orientação islamista. O atentado de 2017 em Manchester foi reivindicado pelo Estado Islâmico. O massacre de Christchurch, na Nova Zelândia, foi cometido por um supremacista branco, de extrema-direita. Nenhum desses casos se enquadra na categoria de esquerda radical.

Promessa é uma coisa, entrega é outra. A declaração de Rubio pode ter apelo político, mas falta lastro factual. Até que o Departamento de Estado publique um relatório específico sobre terrorismo de esquerda, a afirmação permanece no campo da opinião.

## Perguntas Frequentes

### O que Marco Rubio disse exatamente?

Rubio afirmou que o terrorismo é fruto da "esquerda radical", durante entrevista à Fox News em 2025.

### Há dados que comprovem a afirmação?

Não. O relatório anual do Departamento de Estado sobre terrorismo não menciona "esquerda radical" como causa principal. Os grupos listados têm motivações religiosas, étnicas e nacionalistas.

### Qual a reação oficial do governo brasileiro?

Até o momento, o Itamaraty não se manifestou oficialmente sobre a declaração.

### O que é considerado "esquerda radical" nos EUA?

O FBI define extremismo de esquerda como ações violentas em defesa de causas ambientais, animais ou antirracistas, mas são uma parcela ínfima do terrorismo doméstico.

### Rubio pode ser desmentido por dados oficiais?

Sim. O próprio Departamento de Estado, que ele chefia, publica relatórios que contradizem sua afirmação, mostrando a diversidade de motivações terroristas.

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Fonte (canonical): https://www.bombounaweb.com.br/virais/rubio-diz-terrorismo-fruto-8220esquerda-radical8221/
