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Rubio diz que terrorismo é fruto da "esquerda radical": análise

ResumoMarco Rubio, secretário de Estado dos EUA, afirmou que o terrorismo é fruto da "esquerda radical". Dados do Departamento de Estado indicam origens diversas para grupos terroristas, incluindo extremismo religioso e nacionalismo. A declaração gerou debate sobre a simplificação de causas complexas do fenômeno.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse que o terrorismo é fruto da "esquerda radical". A declaração gerou debate. Dados do Departamento de Estado indicam que grupos terroristas têm origens diversas, incluindo extremismo religioso e nacionalismo.

Larissa Quintela
Rubio diz que terrorismo é fruto da "esquerda radical": análise

Rubio diz que terrorismo é fruto da "esquerda radical": análise — Foto: Reprodução / Bombou na Web

O que leva alguém a cometer um ato terrorista? Para o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, a resposta é clara: a "esquerda radical". A declaração, dada em entrevista à Fox News, gerou controvérsia e reacendeu o debate sobre as origens do terrorismo. Dados oficiais, no entanto, indicam um cenário mais complexo.

Segundo o Departamento de Estado dos EUA, em seu relatório anual sobre terrorismo, os grupos classificados como terroristas têm motivações que vão do extremismo religioso ao nacionalismo étnico, passando por separatismo e ideologias de extrema-direita. A afirmação de Rubio, portanto, contrasta com a diversidade de causas documentadas.

Rubio, que assumiu o cargo em janeiro de 2025, fez a declaração durante um segmento sobre segurança nacional. "O terrorismo que vemos hoje é, em grande parte, fruto da esquerda radical que infiltrou nossas instituições", disse ele. A fala foi imediatamente repercutida por veículos conservadores e criticada por analistas de política externa.

O que diz o relatório oficial

O "Country Reports on Terrorism 2024", publicado pelo Departamento de Estado, lista 68 organizações estrangeiras como terroristas. Entre elas, grupos como Estado Islâmico (EI), Al-Qaeda, Hamas e Hezbollah. Nenhum deles é classificado como de "esquerda radical" no documento. A maioria é descrita como islamista radical ou nacionalista palestina.

O relatório também aponta que, em 2024, os ataques terroristas aumentaram 22% globalmente, com o maior número de incidentes no Sahel, na África, e no Afeganistão. A motivação principal dos ataques foi o extremismo religioso, seguido por conflitos étnicos e separatistas.

Reações à declaração

A fala de Rubio foi criticada por especialistas em segurança internacional. "Reduzir o terrorismo a uma única ideologia é um erro analítico", afirmou a cientista política Maria Silva, da USP. "O terrorismo é um fenômeno multifacetado. Ignorar isso pode levar a políticas ineficazes."

Por outro lado, setores conservadores americanos elogiaram a declaração. O comentarista político Ben Shapiro, em seu podcast, disse que Rubio "finalmente nomeou o problema". A polarização reflete o ambiente político dos EUA, onde o termo "esquerda radical" é usado para descrever desde democratas progressistas até movimentos antifa.

Limitações da análise

É importante notar que a declaração de Rubio não foi acompanhada de dados ou exemplos concretos. O Departamento de Estado não emitiu comunicado oficial corroborando a afirmação. Além disso, o conceito de "esquerda radical" é vago e varia conforme o contexto. Nos EUA, o FBI classifica como "extremismo de esquerda" grupos como o Animal Liberation Front, mas eles representam uma fração mínima dos atos terroristas no país.

A pergunta certa é outra: por que um secretário de Estado faz uma afirmação tão ampla e sem evidências? A resposta pode estar na política doméstica. Rubio é visto como potencial candidato republicano à presidência em 2028, e declarações fortes sobre segurança nacional costumam agradar a base conservadora.

Contexto histórico

A associação entre esquerda e terrorismo não é nova. Durante a Guerra Fria, os EUA acusaram a União Soviética de patrocinar grupos terroristas na América Latina e África. Mais recentemente, o governo Trump classificou organizações como o Partido dos Panteras Negras como "extremistas de esquerda". No entanto, o consenso acadêmico é que o terrorismo de esquerda foi relevante nas décadas de 1960-70, mas perdeu força após o fim da URSS.

O que ainda falta provar

Rubio não apresentou nenhum dado que vincule a "esquerda radical" aos principais ataques terroristas dos últimos anos. O 11 de Setembro foi executado pela Al-Qaeda, de orientação islamista. O atentado de 2017 em Manchester foi reivindicado pelo Estado Islâmico. O massacre de Christchurch, na Nova Zelândia, foi cometido por um supremacista branco, de extrema-direita. Nenhum desses casos se enquadra na categoria de esquerda radical.

Promessa é uma coisa, entrega é outra. A declaração de Rubio pode ter apelo político, mas falta lastro factual. Até que o Departamento de Estado publique um relatório específico sobre terrorismo de esquerda, a afirmação permanece no campo da opinião.

Perguntas Frequentes

O que Marco Rubio disse exatamente?

Rubio afirmou que o terrorismo é fruto da "esquerda radical", durante entrevista à Fox News em 2025.

Há dados que comprovem a afirmação?

Não. O relatório anual do Departamento de Estado sobre terrorismo não menciona "esquerda radical" como causa principal. Os grupos listados têm motivações religiosas, étnicas e nacionalistas.

Qual a reação oficial do governo brasileiro?

Até o momento, o Itamaraty não se manifestou oficialmente sobre a declaração.

O que é considerado "esquerda radical" nos EUA?

O FBI define extremismo de esquerda como ações violentas em defesa de causas ambientais, animais ou antirracistas, mas são uma parcela ínfima do terrorismo doméstico.

Rubio pode ser desmentido por dados oficiais?

Sim. O próprio Departamento de Estado, que ele chefia, publica relatórios que contradizem sua afirmação, mostrando a diversidade de motivações terroristas.

Larissa Quintela

Editoria Virais

Larissa Quintela cobre o setor de meios de pagamento e crédito no Bombou na Web. Análises técnicas, sem viés comercial.