O anúncio do tarifaço americano pegou o Brasil em meio a negociações comerciais. O ministro da Economia, Fernando Haddad, confirmou que 18% das exportações brasileiras aos Estados Unidos serão diretamente afetadas. O montante, de US$ 7,4 bilhões, concentra-se em setores como siderurgia, carnes e suco de laranja. A pergunta certa é: o Brasil tem poder de fogo para retaliar ou o caminho será a negociação?
A promessa do governo Trump era de tarifas recíprocas, mas a realidade setorial é mais complexa. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que em 2025 o Brasil exportou US$ 41,2 bilhões aos EUA. Desse total, US$ 7,4 bilhões estão na lista de produtos que agora pagarão tarifas adicionais de 25% (aço e alumínio) e 10% (demais itens).
Quais setores perdem mais?
O setor siderúrgico lidera a lista de afetados. Em 2025, o Brasil vendeu US$ 3,2 bilhões em aço e alumínio para os EUA. As tarifas de 25% devem reduzir drasticamente a competitividade do produto brasileiro no mercado americano.
As carnes vêm em segundo lugar. As exportações de carne bovina, suína e de frango somaram US$ 2,1 bilhões em 2025, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Com a tarifa de 10%, o preço final ao consumidor americano sobe, e a demanda pode migrar para fornecedores como Austrália e Canadá.
O suco de laranja é o terceiro maior item, com US$ 1,1 bilhão exportado em 2025. A tarifa de 10% chega em um momento de safra reduzida no cinturão citrícola de São Paulo, o que já pressionava os preços globais.
O que o governo brasileiro já fez?
O Ministério da Economia anunciou a abertura de consulta pública para listar produtos americanos que podem sofrer sobretaxa brasileira. A lista inclui itens como etanol, medicamentos, aviões e máquinas agrícolas, que somam cerca de US$ 5 bilhões em importações dos EUA.
O vice-presidente Geraldo Alckmin, que comanda o Conselho de Desenvolvimento Industrial, afirmou que a prioridade é negociar com Washington. "Vamos buscar uma saída negociada, mas não abriremos mão de defender os interesses do Brasil", disse em entrevista coletiva.
O impacto real na economia brasileira
Os US$ 7,4 bilhões representam 0,35% do PIB brasileiro, que ultrapassou US$ 2,1 trilhões em 2025. O impacto direto, portanto, é limitado. Mas o efeito indireto preocupa: a redução da atividade nos setores afetados pode gerar perda de empregos, estima-se que 120 mil postos de trabalho estejam ligados diretamente às exportações para os EUA.
Há ainda o risco de retaliação americana em outros setores. O Brasil importa dos EUA principalmente combustíveis (US$ 4,5 bilhões), produtos químicos (US$ 3,2 bilhões) e equipamentos de precisão (US$ 2,8 bilhões). Uma escalada tarifária poderia encarecer insumos para a indústria nacional.
O que esperar dos próximos meses?
As negociações bilaterais devem começar em junho, com reunião entre os ministros da Economia do Brasil e o representante de Comércio dos EUA. O Brasil pode oferecer redução de tarifas de importação para produtos americanos em troca da exclusão de itens brasileiros da lista de tarifas.
O Congresso Nacional também estuda aprovar a "Lei de Reciprocidade Comercial", que daria ao Executivo poderes para retaliar rapidamente. A proposta tramita em regime de urgência.
como o tarifaço afeta o agronegócio brasileiro
Perguntas Frequentes
O tarifaço já está valendo?
Sim. As tarifas de 25% sobre aço e alumínio entraram em vigor em 1º de maio de 2026. As tarifas de 10% sobre os demais produtos começam em 1º de junho.
Quais produtos brasileiros estão isentos?
Produtos como minério de ferro, petróleo bruto e café continuam sem tarifa adicional. Esses itens representam cerca de 60% das exportações brasileiras aos EUA.
O Brasil pode recorrer à OMC?
Sim. O Brasil já acionou a Organização Mundial do Comércio contra tarifas americanas anteriores, como as de 2018 sobre aço e alumínio. O processo, porém, leva anos.
Há risco de desabastecimento no Brasil?
Não para produtos de consumo direto. O risco é de desemprego nos setores exportadores e de aumento de custos para indústrias que usam aço importado.
O que o empresário deve fazer agora?
Diversificar mercados é a principal recomendação. O Brasil tem acordos com a União Europeia e a China que podem absorver parte da produção. A Apex-Brasil oferece apoio para exportadores como exportar para a China em 2026.