A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) aprovou o pedido da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) para ampliar o horário das operações no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, em situações consideradas excepcionais. Com a decisão, o aeroporto, que funciona entre 6h e 23h por estar em área residencial, pode ter o horário estendido além das 23h apenas quando eventos extraordinários afetarem a malha aérea.
A decisão saiu na 27ª Reunião Deliberativa Eletrônica da Diretoria Colegiada da agência. Não há mudança no horário oficial de funcionamento, e voos regulares não serão programados para além do limite atual.
A Anac estabeleceu nova interpretação para a Resolução 55, em vigor desde 2008, que veda operações comerciais regulares e de aviação geral após as 23h, salvo exceções como transporte de enfermos graves, órgãos para transplante e busca e salvamento. A norma não previa tratamento para contingências, lacuna agora revisada.
A medida, segundo a Anac, busca reduzir impactos em cascata na malha aérea e nos passageiros por eventos como mau tempo. A prorrogação será restrita à conclusão de operações já programadas para o dia da ocorrência.
A concessionária Aena, que administra Congonhas, afirma que as prorrogações serão avaliadas caso a caso. Dados recentes reforçam o caráter excepcional: em 2025 houve cinco prorrogações; em 2026, apenas duas até o momento. "Não se trata de mudança do horário operacional nem de autorização para funcionamento regular após as 23h", diz a Aena.
A Abear reforçou que a medida se limita a emergências ou força maior, como condições meteorológicas adversas, e que o objetivo é dar previsibilidade às ações coordenadas entre autoridades, empresas e operadora, sem prejuízo à segurança.
Se você voa por Congonhas com frequência, a rotina não muda: o aeroporto segue fechando às 23h. A novidade é que, em dias de caos, como tempestades que atrasam voos, a operação pode ser estendida para concluir o que já estava previsto. Na prática, isso reduz o risco de ficar retido até o dia seguinte. Vale acompanhar como a medida será aplicada nos próximos eventos adversos.
Análise
A decisão da Anac responde a uma dor real de quem viaja: o efeito cascata de um atraso em Congonhas, que concentra voos para todo o país. Ao permitir a prorrogação pontual, a agência dá às companhias uma válvula de escape sem abrir brecha para operação noturna regular. Os números da Aena, com apenas duas prorrogações em 2026, indicam uso raro. A pergunta que fica: em um ano de eventos climáticos extremos, será que a exceção vai continuar tão excepcional assim? voos noturnos em outros aeroportos