Um policial penal foi afastado preventivamente das funções após ser acusado pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) de exigir R$ 20 mil de um detento para conceder e manter uma vaga de trabalho na marcenaria da Penitenciária Dênio Moreira de Carvalho, em Ipaba. A decisão, divulgada pela promotoria nesta quarta-feira (9), é da Vara da Fazenda Pública da Comarca de Ipatinga, que acolheu pedido apresentado em uma Ação de Improbidade Administrativa.
Segundo o MPMG, na época dos fatos, em setembro de 2025, o servidor exercia a função de diretor de Segurança da unidade prisional. O afastamento é preventivo, ou seja, vale até nova decisão judicial: o policial não pode ocupar cargos de chefia, direção ou assessoramento na Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais (Sejusp), mas mantém a remuneração.
A medida atinge diretamente a gestão de vagas de trabalho dentro do sistema prisional. Quem acompanha a rotina de unidades como a de Ipaba sabe que a marcenaria é uma das poucas saídas de ocupação para detentos, e a suspeita de cobrança por esse tipo de benefício expõe uma falha de controle. O caso agora segue na esfera judicial, com o servidor respondendo por improbidade administrativa.
Para quem está preso ou tem familiares nessa condição, o desdobramento prático é claro: a decisão sinaliza que pedidos de vantagem para acesso a trabalho intramuros podem ser questionados na Justiça. O MPMG não detalhou como a cobrança teria sido feita nem se houve pagamento efetivo. Até o fechamento desta edição, a defesa do policial não se manifestou publicamente.
O afastamento, embora preserve o salário, retira do agente qualquer função de comando na Sejusp enquanto o processo estiver em andamento. Resta saber se a Ação de Improbidade avançará para outras penalidades, como perda do cargo ou devolução de valores. A promotoria não informou prazos para os próximos passos.
Para quem atua na área de segurança pública, o caso serve de alerta sobre a necessidade de auditorias periódicas na distribuição de vagas de trabalho prisional. Uma cobrança dessa natureza, se confirmada, compromete a credibilidade de todo o sistema de ressocialização. improbidade administrativa em MG direitos de detentos no trabalho