A Polícia Federal (PF) apontou, em relatórios tornados públicos nesta sexta-feira (11), que Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, servidores afastados do Banco Central (BC), atuaram de maneira reiterada como consultores informais de Daniel Vorcaro. Segundo a PF, eles ofereceram orientações detalhadas, revisaram documentos sensíveis e intervieram em temas de supervisão bancária em favor do Banco Master. E cobraram por isso.
O que os relatórios da PF apontam
Nos diálogos citados pela PF, Paulo Sérgio envia a portaria com sua promoção a chefe-adjunto do Departamento de Supervisão Bancária (Desup) do BC. O Desup é o setor responsável por monitorar o capital e a liquidez das instituições financeiras, o que dá peso ao tipo de intervenção descrito nos relatórios.
A atuação descrita combina três frentes: orientação técnica informal, revisão de documentos sensíveis e intervenção em temas de supervisão em favor do Banco Master. Os servidores foram afastados do órgão.
Sigilo levantado no caso Master
Nesta quinta, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça levantou o sigilo das principais investigações relacionadas ao Banco Master que tramitam na Corte. A decisão atende a uma solicitação feita horas antes pelo presidente do Supremo, Edson Fachin, e libera o acesso a um conjunto de inquéritos, reclamações e petições vinculados ao chamado "caso Master".
Talvez você se reconheça aqui na pergunta que fica: quem confia no sistema financeiro quer saber quem fiscaliza quem fiscaliza. Vale a pena parar pra pensar no que a liberação desses documentos significa para a transparência da supervisão bancária. O que você espera encontrar quando o sigilo cai?