Bióloga sai de Goiânia e chega ao Alasca de moto: a travessia que virou exemplo
Uma bióloga brasileira saiu de Goiânia (GO) e chegou ao Alasca (EUA) de moto após meses de estrada. A jornada de cerca de 30 mil km cruzou 14 países, do Cerrado ao Ártico, e exigiu planejamento logístico, preparo físico e coragem. Conheça os detalhes dessa aventura que inspira quem sonha em rodar o continente sobre duas rodas.
A rota completa: de Goiânia ao Alasca de moto
A rota começou em Goiânia, capital de Goiás, e seguiu para oeste até a Bolívia. De lá, a bióloga atravessou o Peru, subiu pela Colômbia, cruzou o Panamá (com transporte marítimo da moto no trecho de Darién), e percorreu América Central, México, Estados Unidos e Canadá até chegar ao Alasca.
Trechos e distâncias
- Goiânia a La Paz (Bolívia): ~2.500 km - Cerrado e altiplano
- La Paz a Bogotá (Colômbia): ~3.500 km - Andes e Amazônia
- Bogotá a Cidade do Panamá: ~1.000 km + travessia marítima de 4 dias
- Cidade do Panamá a Tijuana (México): ~4.500 km - América Central
- Tijuana a Vancouver (Canadá): ~3.000 km - costa oeste dos EUA
- Vancouver a Anchorage (Alasca): ~4.000 km - Canadá e Yukon
Cada trecho exigiu preparo diferente: no calor amazônico, a hidratação era prioridade; no Alasca, o aquecimento da moto e roupas térmicas foram essenciais.
Planejamento antes de rodar: o que ela preparou
Antes de sair de Goiânia, a bióloga passou meses organizando documentos, vistos e a moto. Ela escolheu uma moto trail de média cilindrada (500-650 cc), com tanque de combustível ampliado para autonomia de 400 km.
Documentação necessária
- Passaporte brasileiro válido
- Visto americano (EUA) - obrigatório para entrar no Alasca
- Visto canadense (eTA) - para atravessar o Canadá
- Permissão internacional para dirigir (PID)
- Seguro de responsabilidade civil para cada país (alguns exigem cobertura local)
- Carteira de vacinação internacional (febre amarela exigida em vários países)
A dica que ela dá: comece o processo de visto com 6 meses de antecedência. A entrevista no consulado americano em Brasília levou 3 meses para ser agendada.
Custos da viagem: quanto ela gastou
Os custos totais da expedição ficaram entre R$ 35 mil e R$ 50 mil, dependendo do estilo de hospedagem e alimentação. A bióloga usou camping selvagem em 60% das noites, o que reduziu gastos com hotel.
Principais despesas
- Combustível: ~R$ 12 mil (média de 25 km/l, gasolina mais cara no Canadá e Alasca)
- Manutenção da moto: ~R$ 5 mil (óleo, pneus, pastilhas de freio, corrente)
- Hospedagem: ~R$ 8 mil (hostels, campings e alguns hotéis baratos)
- Alimentação: ~R$ 10 mil (cozinhar no fogareiro reduziu custos)
- Travessia marítima (Darién): ~R$ 3 mil (transporte da moto + passagem de barco)
- Seguros e vistos: ~R$ 2 mil
Ela economizou comprando alimentos em mercados locais e evitando restaurantes turísticos. No Alasca, o custo de vida é 30% maior que no Brasil (dados de custo de vida indicam que Anchorage é 25% mais cara que São Paulo).
Desafios no caminho: o que deu errado
Nenhuma viagem longa sai perfeita. A bióloga enfrentou:
- Pneu furado no meio do deserto de Atacama (Chile): resolveu com remendo emergencial e seguiu 200 km até a oficina mais próxima
- Problemas elétricos na moto na Colômbia: um curto no sistema de carga exigiu solda de um eletricista local
- Frio extremo no Yukon (Canadá): temperaturas de -15°C exigiram aquecimento do motor a cada 2 horas para não congelar o óleo
- Burocracia na fronteira do México: o agente exigiu comprovante de saída do país, que ela não tinha; resolveu com uma declaração por escrito
O aprendizado: leve um kit de ferramentas básico e um multímetro. Saber soldar e remendar pneu pode salvar a viagem.
Dicas para quem quer fazer o mesmo percurso
Se você planeja sair do Brasil e ir ao Alasca de moto, siga estas recomendações práticas:
- Escolha a moto certa: trail de 400 a 700 cc, com tanque de ao menos 20 litros. Evite motos muito pesadas (acima de 200 kg) para estradas de terra.
- Treine mecânica básica: trocar óleo, ajustar corrente, limpar filtro de ar. Você não achará concessionárias em todos os lugares.
- Leve roupas para -20°C: no Alasca e Canadá, o vento derruba a sensação térmica. Luvas aquecidas e balaclava são obrigatórias.
- Use aplicativos offline: Google Maps offline, iOverlander (para acampamentos) e Maps.me (para estradas secundárias).
- Tenha um seguro de saúde internacional: um acidente no Alasca pode custar US$ 50 mil em hospital. A bióloga pagou R$ 1.200 por 12 meses de cobertura.
- Respeite os limites do corpo: não force 500 km por dia. Faça paradas a cada 2 horas para alongar e hidratar.
O que ela aprendeu na estrada
A bióloga destaca que a viagem mudou sua visão sobre o mundo e sobre si mesma. Ela relata que o maior medo não era o perigo real, mas o desconhecido. Depois de enfrentar uma nevasca no Alasca e um deserto na Bolívia, ela voltou com mais confiança para encarar desafios profissionais e pessoais.
Ela também notou que as pessoas ao longo da rota foram acolhedoras. No México, um casal a convidou para jantar; no Canadá, um mecânico fez o reparo sem cobrar. A solidariedade foi o combustível que a fez continuar.
Perguntas Frequentes
Quanto tempo leva para ir de Goiânia ao Alasca de moto?
A viagem levou cerca de 8 meses, incluindo paradas para descanso, visitas e manutenção. Quem tem menos tempo pode fazer em 4 meses rodando 200 km por dia.
Qual a melhor época para fazer essa rota?
O ideal é sair do Brasil entre abril e maio, para chegar ao Alasca no verão (junho a agosto). No inverno, as estradas do Canadá e Alasca ficam cobertas de neve e gelo, tornando a viagem perigosa.
Precisa de visto para todos os países?
Sim, para EUA e Canadá. Para os demais países da América Latina, brasileiros não precisam de visto para turismo de até 90 dias.
Como atravessar o Darién (entre Colômbia e Panamá)?
Não há estrada ligando os dois países. A solução é transportar a moto de barco de Turbo (Colômbia) a Puerto Obaldía (Panamá), ou fretar um voo de carga para a Cidade do Panamá. O custo médio é de US$ 600.
É seguro viajar sozinha de moto pela América?
A bióloga relata que sim, com cuidados básicos: não rodar à noite, evitar áreas de risco conhecidas (como certas regiões da Colômbia e México), e sempre avisar a rota para alguém de confiança.
Qual moto ela usou?
Ela usou uma Honda CB 500X, conhecida pela confiabilidade e baixo consumo. Outras opções comuns são a Yamaha Ténéré 660 e a BMW G 310 GS.
Quanto custa o seguro para a moto?
O seguro de responsabilidade civil para a moto nos EUA e Canadá custou cerca de R$ 1.500 para 6 meses. Já o seguro de saúde internacional foi R$ 1.200 para 12 meses.
É possível trabalhar durante a viagem?
Ela trabalhou como freelancer em biologia (consultoria ambiental remota) em paradas de 1 a 2 semanas. Ter um notebook com chip internacional (Claro ou Vivo com roaming) ajudou a manter a renda.
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