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Brasil enfrenta risco concreto de recessão, diz Armínio Fraga

ResumoArmínio Fraga, ex-presidente do Banco Central, alertou que o Brasil enfrenta risco concreto de recessão em 2027. Armínio Fraga apontou crise estrutural grave na economia brasileira e recomendou cautela com dívidas, citando distorções fiscais como fator de preocupação.

Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central, afirmou que a economia brasileira enfrenta uma crise estrutural grave e alertou para o risco concreto de recessão em 2027. Em entrevista à Veja, ele recomenda cautela com dívidas e aponta distorções fiscais.

Priscila Andrade
Brasil enfrenta risco concreto de recessão, diz Armínio Fraga

Brasil enfrenta risco concreto de recessão, diz Armínio Fraga — Foto: Reprodução / Bombou na Web

A economia brasileira pode entrar em recessão já em 2027, segundo Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central (BC). Em entrevista à Veja, publicada em 24 de julho de 2026, ele descreveu o quadro fiscal como "desastroso" e "uma verdadeira vergonha". Para quem acompanha o noticiário econômico, o alerta não é apenas mais um, é um sinal direto de que o aperto pode chegar ao bolso de empresas e famílias.

O alerta de Fraga é direto: "Acho que podemos entrar em uma recessão. O mercado de crédito dá sinais preocupantes". Ele recomenda que empresas e pessoas "preservem o caixa e não peguem empréstimos". A declaração vem em um momento em que o mercado de crédito já emite sinais de deterioração consistentes com períodos que antecedem recessões, segundo o economista.

O diagnóstico de Armínio Fraga para a crise brasileira

Fraga não poupou críticas à situação fiscal do país. "O próprio governo encurta o perfil de sua dívida, o que é um sinal claríssimo de que a situação está difícil", afirmou. Para ele, "falta prioridade", não apenas recursos.

Ele contestou a narrativa de que o Brasil já pratica austeridade fiscal. "Há quem diga que o Brasil já tem austeridade fiscal demais, mas que austeridade é essa que fez o gasto público sair de um quarto do PIB para um terço nos últimos 40 anos?", questionou. O dado é revelador: o gasto público passou de 25% para cerca de 33% do PIB em quatro décadas.

O problema dos gastos tributários

Os gastos tributários, subsídios e benefícios fiscais federais e estaduais, somam 9% do PIB, conforme estimativa apresentada por Fraga. Ele defendeu um corte de pelo menos 3 pontos percentuais desse total. "Hoje, alguém pode ser tributado em 8% e outra pessoa, com a mesma renda, em 27%", apontou, destacando distorções no sistema.

O mercado de crédito e os juros altos

Fraga comparou os juros elevados a uma "febre persistente" e destacou que as taxas longas também estão em patamar elevado. Ele criticou o arcabouço fiscal do governo: "Embora o governo tenha criado o arcabouço fiscal, chutou o pau da barraca logo de cara, e os resultados estão aí, na forma de juros altos".

O economista lembrou que, desde 1994, o crescimento per capita do Brasil acumulou apenas 1,3%, índice que descreveu como "muito modesto, para não dizer medíocre". Esse dado ajuda a entender por que o mercado de crédito já dá sinais de deterioração: em um cenário de baixo crescimento e juros altos, a inadimplência tende a subir.

Quem é responsável pelo quadro fiscal?

Fraga atribuiu a responsabilidade de forma compartilhada entre os três Poderes, com maior peso no Executivo e no Legislativo. "Cortar os gastos requer um grau de negociação que tem se mostrado difícil, mas é um fato que, sem o Legislativo, isso não andará. O maestro dessa orquestra é o Executivo, mas não se pode atribuir a ele toda a responsabilidade", disse.

O alerta sobre empréstimos

O economista foi enfático ao falar sobre endividamento. "Grande parte da população não tem condições de se planejar financeiramente", afirmou, e classificou os empréstimos como "um paliativo, mas o custo é fatal". A recomendação é clara: quem pode, deve evitar novas dívidas agora.

O cenário político e as eleições de 2026

Fraga declarou não ter intenção de apoiar formalmente nenhum candidato nas eleições presidenciais de 2026. Em março, ele havia anunciado apoio à pré-candidatura de Eduardo Leite (PSD), governador do Rio Grande do Sul, que não irá disputar o Planalto. "Eu me expus muito nos últimos anos e não me arrependo. Sou partidário de procurar o melhor voto possível para o Brasil", disse.

Para Fraga, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é o favorito para as eleições, mas ele advertiu sobre os riscos de repetir o padrão fiscal observado no governo de Dilma Rousseff (PT). "Há uma certa semelhança com o governo de Dilma Rousseff, quando foi feito um grande esforço para vencer a eleição, estourando as contas de uma maneira espetacular", afirmou. Para ele, o país precisaria de um governo "do estilo Lula 1", não do atual perfil do 3º mandato.

Sobre uma eventual candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Fraga foi crítico ao recordar o governo do pai. "Foi um governo que não apoiou a vacinação, facilitou a venda de armas e munições e não esteve à altura dos desafios sociais do país", afirmou. O economista citou Ronaldo Caiado (União) e Romeu Zema (Novo) como possíveis alternativas que poderiam contar com apoio do Congresso.

Como o alerta de recessão afeta você

O recado de Fraga é prático: quem tem dívidas variáveis ou planeja tomar crédito deve reavaliar. Com juros altos e sinais de deterioração no mercado, o custo do endividamento pode se tornar "fatal", como ele mesmo disse. Empresas devem preservar caixa; famílias, evitar novos compromissos financeiros.

O economista não vê solução rápida. "O Brasil precisa passar por uma boa peneirada", afirmou. O alerta de recessão concreta não é um alarmismo, é um chamado à cautela.

Perguntas Frequentes

O que Armínio Fraga disse sobre a recessão?

Ele afirmou que o Brasil enfrenta risco concreto de recessão em 2027, com o mercado de crédito dando sinais preocupantes.

Qual é a recomendação de Fraga para as pessoas?

"Preservem o caixa e não peguem empréstimos", disse. Ele classificou empréstimos como paliativo de custo fatal.

O que ele criticou no governo atual?

Fraga criticou o arcabouço fiscal, os gastos tributários de 9% do PIB e a falta de prioridade nos gastos públicos.

Quem ele vê como favorito nas eleições?

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é o favorito, segundo Fraga, mas ele alertou para riscos de repetir o padrão fiscal do governo Dilma.

O que ele disse sobre o governo Bolsonaro?

Fraga afirmou que o governo anterior não apoiou a vacinação, facilitou a venda de armas e não esteve à altura dos desafios sociais.

Como se preparar para o cenário de recessão?

Evite novas dívidas, preserve caixa e reavalie compromissos financeiros de longo prazo, especialmente com juros altos.

Priscila Andrade

Editoria Curiosidades

Priscila Andrade cobre o setor de meios de pagamento e crédito no Bombou na Web. Análises técnicas, sem viés comercial.

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