O que faz uma pessoa não correr ao ouvir tiros a poucos metros? No caso da cabeleireira Juliane Nascimento da Silva, de 37 anos, a resposta foi a confusão entre o som dos disparos e o barulho de motos passando pela rua.
Juliane voltava para casa depois de fechar o salão onde trabalha, na noite do último sábado (29), quando foi atingida por uma bala perdida durante um tiroteio em um bar no bairro Conjunto Residencial Araretama, em Pindamonhangaba (SP). O confronto também matou uma outra mulher no local. Em meio aos disparos, ela não tentou fugir porque não reconheceu o perigo.
A filha da vítima, Thayná da Silva Ramos, de 20 anos, contou ao g1 que a mãe levou o tiro na perna e sofreu uma fratura. O filho de Juliane também foi atingido de raspão na barriga. Segundo a polícia, Raimundo Soares de Oliveira, de 57 anos, é o suspeito de atirar contra ela. Ele foi preso em flagrante.
O caso expõe uma limitação concreta da percepção humana em situações de violência urbana: o som de tiros, em contextos de trânsito, pode ser facilmente mascarado por outros ruídos. A distinção exige treino e, muitas vezes, não acontece a tempo.
Ainda falta esclarecer, por exemplo, a dinâmica exata do confronto e como a bala atingiu Juliane. A polícia não detalhou se houve perseguição ou troca de tiros entre os envolvidos antes do disparo que a feriu.
Para quem vive em regiões com histórico de ocorrências policiais, a recomendação de especialistas em segurança é redobrar a atenção a qualquer som súbito, mesmo que pareça inofensivo. Mas, como mostra o relato, nem sempre é possível reagir a tempo quando o aviso chega disfarçado de barulho comum.
segurança pública em Pindamonhangaba como identificar sons de tiros