Exportações de café do Brasil caem 15,7% na safra 2025/26, diz Cecafé
O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) divulgou nesta quarta-feira (9) que as exportações de café do Brasil caíram 15,7% na safra 2025/26, encerrada em junho. O total embarcado foi de 35,2 milhões de sacas de 60 kg, contra 41,8 milhões na safra anterior. O recuo foi puxado pela entressafra do café arábica e por gargalos logísticos.
As exportações de café do Brasil caem 15,7% na safra 2025/26, segundo o Cecafé. O volume de 35,2 milhões de sacas representa o menor patamar desde a safra 2020/21. O segmento de café arábica, que responde por 70% da produção nacional, teve queda de 18% no período. Já o café robusta/conilon registrou alta de 5% na comparação anual.
Por que as exportações de café do Brasil caíram?
A queda nas exportações de café do Brasil tem causas estruturais e conjunturais. O principal fator é o ciclo bienal do arábica, que em 2025/26 entrou em ano de baixa produtividade. Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam que a safra 2025/26 foi 12% menor que a anterior.
Outro elemento foi o aumento dos custos logísticos. O frete marítimo para contêineres refrigerados subiu 30% no primeiro semestre de 2026, segundo a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). Exportadores relataram dificuldades para alocar navios nos portos de Santos e Rio de Janeiro.
Impacto da entressafra no volume embarcado
A entressafra do arábica reduziu a disponibilidade de café de alta qualidade. O Brasil colheu 43,2 milhões de sacas na safra 2025/26, contra 49,1 milhões no ciclo anterior (Conab). Com menos produto, os preços subiram 22% no mercado internacional, mas o volume embarcado caiu.
- Safra 2024/25: 49,1 milhões de sacas
- Safra 2025/26: 43,2 milhões de sacas
- Variação: -12%
Gargalos logísticos e custos de frete
Os portos brasileiros enfrentaram congestionamentos no primeiro semestre de 2026. A espera média para atracação em Santos foi de 8 dias, contra 4 dias em 2025, segundo a Antaq. Exportadores tiveram de pagar prêmios para garantir espaço nos navios.
Destinos das exportações de café do Brasil
A Europa segue como principal compradora do café brasileiro. O bloco europeu importou 16,8 milhões de sacas na safra 2025/26, queda de 12% ante o ciclo anterior. Os Estados Unidos reduziram as compras em 18%, para 6,2 milhões de sacas.
Já a China aumentou as importações em 9%, para 1,8 milhão de sacas. O país asiático tornou-se o quarto maior mercado do café brasileiro. O movimento reflete o crescimento do consumo de café na Ásia.
Mercados emergentes puxam demanda
Além da China, outros países asiáticos ampliaram as compras. O Japão importou 1,2 milhão de sacas, alta de 3%. A Coreia do Sul registrou crescimento de 7%, para 0,9 milhão de sacas.
Preços internacionais e receita cambial
Apesar da queda no volume, a receita cambial com exportações de café cresceu 4% na safra 2025/26, para US$ 8,2 bilhões. O preço médio da saca subiu de US$ 192 para US$ 233, impulsionado pela menor oferta global.
O contrato futuro do café arábica na ICE (Intercontinental Exchange) atingiu US$ 2,85 por libra-peso em maio de 2026, maior nível desde 2011. A valorização compensou parcialmente a redução do volume embarcado.
Comparação com safras anteriores
A safra 2025/26 foi a pior desde 2020/21 para as exportações de café do Brasil. Naquele ciclo, o país embarcou 33,9 milhões de sacas, impactado pela pandemia de Covid-19. Desde então, o volume vinha crescendo até atingir o pico de 41,8 milhões em 2024/25.
- 2020/21: 33,9 milhões de sacas
- 2021/22: 37,2 milhões de sacas
- 2022/23: 38,5 milhões de sacas
- 2023/24: 40,1 milhões de sacas
- 2024/25: 41,8 milhões de sacas
- 2025/26: 35,2 milhões de sacas
Perspectivas para a safra 2026/27
A Conab projeta recuperação da safra 2026/27, com colheita de 48 milhões de sacas, alta de 11%. O ciclo bienal do arábica favorece a produção no próximo período. Se a previsão se confirmar, as exportações devem retomar o crescimento.
No entanto, os custos logísticos seguem elevados. A guerra no Mar Vermelho e a escassez de contêineres refrigerados mantêm os fretes 25% acima da média histórica. Exportadores avaliam alternativas como o uso de portos do Norte do país.
Perguntas Frequentes
Quanto o Brasil exportou de café na safra 2025/26?
O Brasil exportou 35,2 milhões de sacas de 60 kg na safra 2025/26, segundo o Cecafé. O volume representa queda de 15,7% ante a safra anterior.
Por que as exportações de café do Brasil caíram?
A queda é explicada pela entressafra do café arábica, que reduziu a produção em 12%, e pelos gargalos logísticos nos portos brasileiros.
Qual foi o principal destino do café brasileiro?
A Europa foi o principal comprador, com 16,8 milhões de sacas. Os Estados Unidos reduziram as compras em 18%.
A receita com exportações também caiu?
Não. A receita cambial subiu 4%, para US$ 8,2 bilhões, devido à alta de 22% no preço médio da saca.
Qual a previsão para a safra 2026/27?
A Conab projeta safra de 48 milhões de sacas, 11% maior que a anterior. As exportações devem se recuperar se os custos logísticos não subirem mais.
Impacto da entressafra do café no mercado globalCustos logísticos e exportações brasileirasPrevisão da Conab para a safra 2026/27