O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou o tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre aço e alumínio de "marco lastimável" para o comércio internacional. A declaração, divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE) nesta quarta-feira (12), critica a decisão de Washington de elevar as tarifas de importação para 25% sobre o aço e 10% sobre o alumínio, medida que afeta diretamente o Brasil, um dos maiores exportadores mundiais desses produtos.
O que diz a nota do Itamaraty
O MRE classificou a medida como um retrocesso nas regras multilaterais de comércio. "A imposição unilateral de tarifas, sem consulta prévia à Organização Mundial do Comércio (OMC), representa um marco lastimável para o sistema baseado em regras", afirmou a nota. O governo brasileiro também sinalizou que recorrerá à OMC para contestar a legalidade das tarifas.
Impacto sobre o Brasil
O Brasil é um dos principais fornecedores de aço para os EUA. Em 2025, o país exportou cerca de 3,5 milhões de toneladas do metal para o mercado americano, gerando receitas de aproximadamente US$ 2,8 bilhões. Com a nova tarifa, estima-se que as exportações brasileiras de aço possam cair entre 15% e 20% no curto prazo, segundo analistas do setor.
Alumínio também na mira
Além do aço, o alumínio brasileiro também foi atingido. O Brasil é o terceiro maior exportador de alumínio primário para os EUA, atrás apenas do Canadá e dos Emirados Árabes Unidos. A tarifa de 10% sobre o metal deve encarecer o produto brasileiro, reduzindo sua competitividade.
Reação de Lula e do governo
O presidente Lula, em declaração à imprensa, afirmou que a medida é "injustificável" e que o Brasil não ficará passivo. "Vamos defender nossos interesses comerciais com todos os instrumentos disponíveis, inclusive na OMC", disse. O governo também estuda medidas de retaliação, como a elevação de tarifas sobre produtos americanos, como milho e soja.
O que esperar das relações bilaterais
A crise comercial ocorre em um momento de tensão nas relações entre Brasil e EUA. Desde o início do segundo mandato de Donald Trump, Washington adota uma postura mais protecionista. O Brasil, por sua vez, busca diversificar seus parceiros comerciais, com destaque para a China e a União Europeia. Nos próximos dias, o MRE deve convocar o embaixador americano em Brasília para esclarecimentos relações Brasil-EUA em 2026.
Perguntas Frequentes
Por que os EUA impuseram tarifas sobre aço e alumínio?
A administração Trump justifica a medida como proteção à indústria nacional, alegando segurança nacional. Críticos apontam que a ação viola regras da OMC.
O Brasil pode retaliar?
Sim. O governo brasileiro estuda elevar tarifas sobre produtos americanos, como milho, soja e carne suína, que podem afetar exportações dos EUA no valor de até US$ 2 bilhões.
Qual o prazo para ação na OMC?
O Brasil deve protocolar uma queixa formal na OMC nas próximas semanas. O processo pode levar de 12 a 18 meses até uma decisão final.
Como o tarifaço afeta o consumidor brasileiro?
Indiretamente, a redução das exportações de aço pode levar a uma queda nos preços internos do metal, beneficiando setores como construção civil. Por outro lado, a retaliação pode encarecer alimentos como milho e soja.
Há chance de negociação?
O governo brasileiro já sinalizou disposição para negociar, mas condiciona qualquer acordo à retirada das tarifas. A Casa Branca não comentou a proposta até o momento.