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IFI vê custo de R$ 191 bi com Propag e alerta para estatais

ResumoA IFI (Instituição Fiscal Independente) estima custo de R$ 190,7 bilhões com o Propag (Programa de Parcerias de Investimentos) em 30 anos. O relatório da IFI alerta para deterioração financeira de estatais como Correios e projeta dívida pública brasileira em 82,5% do PIB em 2026.

A IFI (Instituição Fiscal Independente) divulgou relatório que aponta custo de R$ 190,7 bilhões com o Propag ao longo de 30 anos, alerta para deterioração de estatais como Correios e projeta dívida pública em 82,5% do PIB em 2026. Entenda como isso afeta a economia.

Otávio Bensaúde
IFI vê custo de R$ 191 bi com Propag e alerta para estatais

IFI vê custo de R$ 191 bi com Propag e alerta para estatais — Foto: Reprodução / Bombou na Web

A IFI (Instituição Fiscal Independente) divulgou nesta 5ª feira (23.jul.2026) seu Relatório de Acompanhamento Fiscal (RAF nº 114) com três alertas centrais: o custo de R$ 190,7 bilhões do Propag para a União, a deterioração financeira de estatais como os Correios e a trajetória desfavorável da dívida pública. O documento também indica que a economia brasileira opera acima do potencial, o que pressiona a inflação e pode manter os juros elevados.

O Propag custará R$ 191 bilhões à União

O Propag (Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados) foi criado pela lei complementar nº 212 de 2025 e permite a renegociação das dívidas estaduais com redução dos juros reais. A IFI calcula que as condições mais favoráveis oferecidas aos Estados terão um custo de R$ 190,7 bilhões para a União ao longo dos próximos 30 anos.

O impacto anual pode chegar a 0,2 ponto percentual do PIB até 2046, segundo a IFI. A adesão dos Estados reduz o fluxo de receitas da União em razão das condições mais favoráveis oferecidas para a renegociação. Até agora, 22 unidades da federação já aderiram ao programa.

Estatais em deterioração: Correios, Codevasf e Infraero

O relatório da IFI destaca a deterioração da situação financeira de empresas estatais federais, entre elas os Correios, a Codevasf e a Infraero. No caso dos Correios, a empresa registrou prejuízo líquido de R$ 8,5 bilhões em 2025, ante perda de R$ 2,6 bilhões no ano anterior.

Segundo a IFI, o resultado demonstra, entre outros fatores, a queda das receitas com postagens internacionais e o aumento das despesas com pessoal e dos passivos atuariais. A instituição afirma que o quadro amplia o risco de a União precisar realizar aportes financeiros nas empresas, pressionando ainda mais as contas públicas.

Economia opera acima do potencial

A IFI atualizou a metodologia utilizada para estimar o hiato do produto, indicador que mede a diferença entre o PIB efetivo e o potencial da economia, incorporando variáveis como área colhida e consumo de energia elétrica. Com a nova metodologia, a instituição calcula que a economia brasileira registrou hiato positivo de 0,9% no 1º trimestre de 2026.

Isso indica que o nível de atividade está acima do PIB potencial, com baixo grau de ociosidade e pressão sobre a inflação. Em termos mais simples, a economia está produzindo acima do nível considerado sustentável no longo prazo. Com empresas operando perto da capacidade máxima e o mercado de trabalho mais aquecido, cresce a pressão sobre os preços, o que tende a dificultar o controle da inflação e pode exigir a manutenção de juros elevados por mais tempo.

Dívida pública em trajetória desfavorável

A IFI manteve a avaliação de que a trajetória da dívida pública permanece desfavorável na ausência de medidas adicionais de ajuste fiscal. A instituição projeta deficit primário de 0,4% do PIB para o Governo Central em 2026. Também estima que a DBGG (Dívida Bruta do Governo Geral) chegará a 82,5% do PIB neste ano e avançará para 86,4% do PIB em 2027.

O deficit primário corresponde ao resultado das contas do governo antes do pagamento dos juros da dívida. Na projeção da IFI, o indicador considera despesas excluídas da meta fiscal pelo governo, como gastos classificados como extraordinários. Entre elas está o programa Brasil Soberano 3, que dará R$ 18,5 bilhões em crédito para empresas afetadas pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos.

Comparação com projeções do FMI

A IFI não é a única instituição a projetar a trajetória da dívida pública brasileira. O FMI também divulgou, nesta 5ª feira (23.jul), estimativas para o indicador, mas com resultados diferentes. As estimativas diferem porque utilizam metodologias e premissas distintas.

Na Consulta do Artigo 4º, divulgada nesta 5ª feira (23.jul), o FMI estima que a dívida bruta do governo geral poderá atingir 97,8% do PIB em 2026, caso não haja mudanças relevantes na política fiscal ou no desempenho da economia. A projeção considera o cenário-base da instituição e pode ser revista conforme a evolução das contas públicas e da atividade econômica.

O que observar nos próximos dias

Com a divulgação do RAF nº 114, o mercado e os analistas fiscais devem acompanhar de perto a adesão dos Estados ao Propag e os impactos nas contas da União. A deterioração das estatais, especialmente dos Correios, pode exigir medidas do governo para evitar aportes adicionais. Além disso, a economia operando acima do potencial e a trajetória da dívida pública indicam que o debate sobre ajuste fiscal deve continuar nos próximos meses.

Perguntas Frequentes

O que é o Propag?

O Propag (Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados) foi criado pela lei complementar nº 212 de 2025 e permite a renegociação das dívidas estaduais com redução dos juros reais, mediante contrapartidas como investimentos e amortizações.

Quanto o Propag vai custar para a União?

Segundo a IFI, o custo para a União é de R$ 190,7 bilhões ao longo de 30 anos, com impacto anual de até 0,2 ponto percentual do PIB.

Quantos Estados aderiram ao Propag?

22 unidades da federação já aderiram ao programa, segundo o relatório da IFI.

Qual foi o prejuízo dos Correios em 2025?

A empresa registrou prejuízo líquido de R$ 8,5 bilhões em 2025, ante perda de R$ 2,6 bilhões no ano anterior.

Qual a projeção da IFI para a dívida pública?

A IFI estima que a DBGG chegará a 82,5% do PIB em 2026 e avançará para 86,4% do PIB em 2027.

O FMI concorda com as projeções da IFI?

Não. O FMI estima que a dívida bruta do governo geral poderá atingir 97,8% do PIB em 2026, usando metodologia e premissas diferentes.

Otávio Bensaúde

Editoria Curiosidades

Otávio Bensaúde cobre o setor de meios de pagamento e crédito no Bombou na Web. Análises técnicas, sem viés comercial.