O presidente Luiz Inácio Lula da Silva buscou diálogo com o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump e quer continuar negociando, afirmou o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. A declaração foi feita em coletiva de imprensa nesta quarta-feira (14), em Brasília. Vieira destacou que o governo brasileiro mantém canais abertos com a equipe de transição de Trump, mesmo após as declarações polêmicas do republicano durante a campanha eleitoral.
O chanceler brasileiro, Mauro Vieira, afirmou que o presidente Lula buscou diálogo com o ex-presidente dos EUA Donald Trump e quer seguir negociando. A declaração foi dada em entrevista coletiva, destacando a disposição do governo brasileiro em manter canais abertos para tratar de pautas comerciais e geopolíticas. Vieira não detalhou os temas específicos das conversas, mas mencionou que a relação entre os dois países é estratégica para o Brasil.
O contexto da declaração de Vieira
A fala de Mauro Vieira ocorre em um momento de reconfiguração das relações bilaterais. Trump, que venceu as eleições de 2024, já havia adotado uma postura protecionista durante seu primeiro mandato (2017-2021). Na época, o Brasil enfrentou tarifas sobre aço e alumínio, além de divergências sobre a política ambiental da Amazônia. Agora, com Lula de volta ao poder desde janeiro de 2023, o Itamaraty busca uma abordagem pragmática.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores, as tratativas com a equipe de Trump são conduzidas por canais informais, já que o novo governo americano ainda não tomou posse. Vieira afirmou que o presidente Lula quer seguir negociando, independentemente das posições divergentes em temas como mudanças climáticas e comércio internacional.
O que está em jogo nas negociações
As negociações entre Brasil e EUA envolvem pautas sensíveis. O Brasil é um dos maiores parceiros comerciais dos EUA na América Latina, com uma corrente de comércio que superou US$ 75 bilhões em 2023, segundo dados do Ministério da Economia. Entre os pontos de tensão estão:
- Tarifas sobre aço e alumínio: durante o governo Trump, o Brasil foi taxado em 25% para aço e 10% para alumínio, medida que só foi suspensa após negociações.
- Política ambiental: Trump é cético em relação ao Acordo de Paris, enquanto Lula defende a agenda climática.
- Comércio digital: a regulação de big techs e a taxação de serviços digitais são temas que podem gerar atritos.
Vieira não deu detalhes sobre os resultados das conversas até o momento, mas afirmou que o governo brasileiro está disposto a ceder em alguns pontos para evitar retaliações comerciais.
A pergunta certa é outra: quem cede mais?
Promessa é uma coisa, entrega é outra. A declaração de Vieira sinaliza abertura, mas a história recente mostra que Trump não é conhecido por concessões fáceis. Durante seu primeiro mandato, ele impôs tarifas a aliados históricos como Canadá e Alemanha. A pergunta que fica é: até onde Lula está disposto a ir para manter o diálogo?
O governo brasileiro, por sua vez, tem seus próprios limites. A política externa de Lula prioriza o multilateralismo e a defesa da democracia, valores que colidem com o estilo unilateral de Trump. Especialistas em relações internacionais consultados pela reportagem apontam que o Brasil pode usar a aproximação com a China como moeda de troca. Em 2024, a China se tornou o principal parceiro comercial do Brasil, com US$ 150 bilhões em transações.
Contraponto: o risco de esfriamento
Apesar do discurso de diálogo, há quem veja riscos. O ex-embaixador Rubens Ricupero, em entrevista à Folha de S.Paulo, alertou que o Brasil pode ficar isolado se não equilibrar as relações com os dois gigantes. "O governo Lula precisa mostrar que não está alinhado automaticamente a nenhum dos lados", afirmou. A declaração de Vieira, nesse sentido, tenta acalmar os mercados e os setores produtivos que dependem do comércio com os EUA.
O que esperar dos próximos meses
Com a posse de Trump marcada para 20 de janeiro de 2025, o Itamaraty prepara uma estratégia de aproximação gradual. Vieira adiantou que o governo brasileiro deve enviar uma comitiva a Washington nos primeiros dias do novo governo para retomar as negociações formais. Entre os temas prioritários estão:
- Renovação de acordos comerciais bilaterais.
- Cooperação em tecnologia e inovação.
- Discussão sobre a reforma da governança global, com foco no Conselho de Segurança da ONU.
O chanceler, no entanto, evitou fazer previsões otimistas. "Não vamos criar expectativas irreais. O diálogo é o caminho, mas os resultados dependem da disposição de ambas as partes", disse.
Perguntas Frequentes
Lula buscou diálogo com Trump pessoalmente?
Segundo Mauro Vieira, o presidente Lula buscou diálogo com Trump por meio de interlocutores e canais diplomáticos. Não há confirmação de conversa direta entre os dois.
O que Mauro Vieira disse sobre as negociações?
O chanceler afirmou que Lula buscou diálogo com Trump e quer seguir negociando, destacando a disposição do Brasil em manter canais abertos para tratar de pautas comerciais e geopolíticas.
Quais os principais pontos de tensão entre Brasil e EUA?
Os principais pontos são tarifas sobre aço e alumínio, política ambiental e regulação do comércio digital.
O Brasil pode sofrer retaliações de Trump?
Sim, há risco de retaliações comerciais, especialmente se as negociações não avançarem. O governo brasileiro tenta evitar esse cenário com diálogo.
Como a China influencia essa relação?
A China é o principal parceiro comercial do Brasil, o que dá ao país certa margem para negociar com os EUA sem depender exclusivamente do mercado americano.
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