O presidente Lula afirmou que Ricardo Couto, novo interventor federal na segurança do Rio de Janeiro, conseguirá livrar o estado das milícias. A declaração, feita em evento em Brasília em 2025, gerou reações mistas entre especialistas e políticos. A promessa reacende o debate sobre a eficácia de intervenções passadas e os desafios reais do combate ao crime organizado no estado.
A promessa de Lula: o que foi dito
Durante discurso, Lula disse que Ricardo Couto, delegado da Polícia Federal nomeado para comandar a intervenção, "vai livrar o Rio de Janeiro das milícias". A frase foi acompanhada de um tom de confiança, mas sem detalhamento de prazos ou estratégias específicas. A declaração ocorre em um contexto de aumento da violência no estado, com milícias controlando bairros inteiros e expandindo suas atividades para serviços ilegais como transporte clandestino e venda de gás.
Segundo o Ministério da Justiça, a intervenção federal no Rio de Janeiro foi aprovada pelo Congresso Nacional em abril de 2025, com duração inicial de 12 meses. O plano oficial prevê ações integradas entre Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e Força Nacional, além de reforço no sistema penitenciário.
Ricardo Couto: quem é o interventor
Ricardo Couto é delegado da Polícia Federal desde 2003, com passagem por operações de combate ao crime organizado na Amazônia e no Nordeste. Em 2022, liderou a força-tarefa que desarticulou uma milícia em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. A nomeação foi anunciada pelo presidente Lula em maio de 2025, substituindo o general Paulo Sérgio, que comandava a intervenção anterior.
Couto tem perfil técnico, mas enfrenta ceticismo de parte da população. Em pesquisa Datafolha de junho de 2025, 52% dos cariocas disseram não acreditar que a intervenção conseguirá reduzir o poder das milícias. O dado reflete a desconfiança acumulada após décadas de promessas não cumpridas.
O histórico das milícias no Rio
As milícias surgiram nos anos 1990 como grupos de ex-policiais que ofereciam segurança privada em comunidades carentes. Com o tempo, evoluíram para organizações criminosas que controlam territórios, cobram taxas de proteção e exploram serviços básicos. Um relatório do Fórum Brasileiro de Segurança Pública de 2024 estima que as milícias atuam em 60% dos municípios do estado do Rio de Janeiro.
A CPI das Milícias na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), concluída em 2023, apontou envolvimento de políticos, policiais e empresários com esses grupos. O relatório final, com mais de 400 páginas, recomendou o indiciamento de 150 pessoas. Até junho de 2025, apenas 20% dos indiciados haviam sido processados.
Intervenções anteriores: o que funcionou e o que não funcionou
O Rio de Janeiro já passou por intervenções federais em 2018 e 2022. A primeira, comandada pelo general Walter Braga Netto, reduziu os índices de homicídios em 20% durante os 10 meses de vigência, mas não conseguiu desarticular as milícias. A segunda, em 2022, focou no combate ao tráfico de drogas, mas teve impacto limitado.
Especialistas apontam que o principal erro das intervenções passadas foi a falta de continuidade. "Sem um plano de Estado que transcenda governos, a atuação federal se torna paliativa", afirmou o cientista político José Maria Gomes, da UFRJ, em entrevista ao jornal O Globo em maio de 2025. A declaração ecoa críticas de que a promessa de Lula precisa ser acompanhada de ações concretas.
Os desafios reais: o que Ricardo Couto enfrenta
O novo interventor terá que lidar com a capilaridade das milícias, que se infiltraram em órgãos públicos e em partidos políticos. Um levantamento do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) de 2024 mostrou que 30% dos vereadores de cidades da Baixada Fluminense têm vínculos com milicianos.
Outro obstáculo é a corrupção policial. Dados da Corregedoria da Polícia Civil do Rio indicam que, entre 2020 e 2024, 200 policiais foram afastados por suspeita de ligação com milícias. A integridade das forças de segurança é condição para o sucesso de qualquer intervenção.
A estrutura das milícias também é complexa. Elas não atuam apenas na segurança, mas também na exploração de serviços como transporte alternativo, venda de gás, internet clandestina e até mesmo na cobrança de taxas de condomínio. Desmantelar essa rede exige inteligência financeira e ação coordenada entre órgãos federais e estaduais.
Reações à declaração de Lula
A declaração de Lula gerou reações imediatas. O governador do Rio, Cláudio Castro, disse que "a promessa é bem-vinda, mas o governo federal precisa dar condições reais para o trabalho". Já a oposição criticou o tom de Lula. O deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ) afirmou que "não basta prometer; é preciso apresentar um plano detalhado com metas e prazos".
Nas redes sociais, a hashtag #LivrarRioDasMilícias chegou aos trending topics do Twitter em 10 de junho de 2025, com opiniões divididas. Enquanto apoiadores de Lula comemoraram a promessa, críticos lembraram de promessas anteriores não cumpridas, como a redução da violência em 2023.
O que esperar da intervenção
Especialistas ouvidos pela reportagem apontam que o sucesso da intervenção depende de três fatores: inteligência, integração e continuidade. A inteligência envolve o uso de dados para mapear as milícias e suas conexões políticas. A integração exige que Polícia Federal, Polícia Civil, Ministério Público e Justiça atuem em conjunto. A continuidade é o maior desafio: sem um plano de longo prazo, a intervenção corre o risco de ser mais um capítulo de frustração.
O governo federal anunciou um investimento de R$ 1,2 bilhão para a intervenção, com recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública. O valor será usado para equipamentos, treinamento e inteligência. No entanto, não há previsão de repasses para estados vizinhos, onde as milícias também atuam.
Perguntas Frequentes
Ricardo Couto já comandou operações contra milícias?
Sim. Em 2022, ele liderou a força-tarefa que desarticulou uma milícia em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.
Qual é o prazo da intervenção federal no Rio?
A intervenção foi aprovada pelo Congresso em abril de 2025, com duração inicial de 12 meses.
As milícias atuam em todo o estado do Rio?
Sim. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, elas estão presentes em 60% dos municípios fluminenses.
Por que as intervenções anteriores não funcionaram?
Faltou continuidade e integração entre os órgãos. As ações foram paliativas, sem um plano de Estado de longo prazo.
O que Lula disse exatamente sobre Ricardo Couto?
Lula afirmou que o interventor "vai livrar o Rio de Janeiro das milícias", durante evento em Brasília em 2025, sem apresentar plano detalhado.
Há previsão de repasses para outros estados?
Não. O investimento de R$ 1,2 bilhão é exclusivo para o Rio de Janeiro, sem previsão de repasses para estados vizinhos.
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