Mais de 500 pessoas podem ter morrido em naufrágios de barcos na costa de Mianmar, segundo a ONU. O número, que ainda é preliminar, foi divulgado em um relatório do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) e acende um alerta sobre a crise humanitária no país.
Mais de 500 pessoas podem ter morrido em naufrágios de barcos na costa de Mianmar, segundo a ONU. O relatório do ACNUDH, divulgado em 2025, aponta que embarcações com refugiados rohingya e outros grupos étnicos naufragaram entre 2024 e 2025, em rotas para a Malásia e Indonésia. Os dados são baseados em relatos de sobreviventes e comunidades locais.
O que diz o relatório da ONU
O documento do ACNUDH, intitulado "Naufrágios no Mar de Andamão", detalha que ao menos 500 pessoas morreram em 12 incidentes registrados. O relatório cita que a maioria das vítimas são rohingya, minoria muçulmana perseguida em Mianmar, que tentavam fugir para o sul da Ásia.
Segundo a ONU, os naufrágios ocorreram em rotas perigosas, com barcos superlotados e sem condições de navegação. O ACNUDH afirma que as autoridades de Mianmar não prestaram socorro, e que a guarda costeira do país teria ignorado pedidos de ajuda.
Por que o número é relevante
Mais de 500 mortes em naufrágios representa o maior número já registrado pela ONU em um período de dois anos para a região. O dado supera incidentes anteriores, como os de 2015, quando cerca de 200 pessoas morreram em rotas similares.
O relatório também aponta que o número real pode ser maior, já que muitos naufrágios não são reportados. A ONU estima que entre 50% e 70% das embarcações que partem da costa de Mianmar não chegam ao destino.
Contexto da crise em Mianmar
Mianmar vive uma guerra civil desde o golpe militar de 2021. A junta militar enfrenta resistência de grupos étnicos e da sociedade civil. Os rohingya, em particular, são alvo de perseguição sistemática, com restrições de movimento e violência.
A rota marítima para a Malásia e Indonésia é a principal via de fuga. Barcos de pesca adaptados, com capacidade para 100 pessoas, chegam a transportar até 400 passageiros. As travessias duram de 7 a 15 dias, sem água potável suficiente.
O que a comunidade internacional pode fazer
A ONU pede que a comunidade internacional pressione Mianmar a permitir o acesso humanitário. Também sugere que países como Malásia e Indonésia não devolvam os refugiados ao mar, prática conhecida como pushback.
O ACNUDH recomenda que os países da região criem rotas seguras de migração e que a guarda costeira seja treinada para resgatar náufragos. A agência também cobra investigações independentes sobre os naufrágios.
Perguntas Frequentes
Quantas pessoas morreram nos naufrágios?
Mais de 500, segundo a ONU, em 12 incidentes entre 2024 e 2025. O número pode ser maior.
Quem são as vítimas?
Principalmente rohingya, minoria muçulmana perseguida em Mianmar, que tentavam fugir para a Malásia e Indonésia.
Por que os barcos naufragam?
Superlotação, falta de manutenção e condições climáticas adversas. As embarcações são barcos de pesca adaptados.
O que a ONU está fazendo?
Divulgou o relatório e pede que países da região criem rotas seguras e não devolvam refugiados ao mar.
Como ajudar?
Doações para organizações como ACNUR e Médicos Sem Fronteiras, que atuam no resgate e acolhimento de refugiados.