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Alckmin: 'Não saímos da mesa de negociação' após tarifaço de Trump

ResumoO vice-presidente Geraldo Alckmin declarou que o Brasil não saiu da mesa de negociação com os Estados Unidos após o tarifaço imposto pelo presidente Donald Trump sobre produtos brasileiros. A afirmação ocorre em meio à escalada de tensões comerciais bilaterais, mantendo o diálogo como estratégia para resolver o impasse.

O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o Brasil não abandonará as negociações com os Estados Unidos após o presidente Donald Trump impor um novo tarifaço sobre produtos brasileiros. A declaração foi feita em meio à escalada de tensões comerciais entre os dois países.

Kelly Nascimento
Alckmin: 'Não saímos da mesa de negociação' após tarifaço de Trump

Alckmin: 'Não saímos da mesa de negociação' após tarifaço de Trump — Foto: Reprodução / Bombou na Web

O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o Brasil não sairá da mesa de negociação com os Estados Unidos após o presidente Donald Trump impor novas tarifas sobre produtos brasileiros. A declaração busca sinalizar abertura ao diálogo, enquanto o governo avalia os impactos setoriais e prepara contramedidas, se necessário.

'Não saímos da mesa de negociação', diz Alckmin

Em pronunciamento nesta quarta-feira, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, disse que o Brasil mantém os canais de diálogo abertos com os Estados Unidos. Segundo ele, a prioridade é evitar uma escalada que prejudique ambos os lados. "Não saímos da mesa de negociação. Vamos dialogar, buscar entendimento", afirmou, em tom cauteloso.

A declaração ocorre depois que Trump anunciou tarifas de 25% sobre o aço brasileiro e 10% sobre o alumínio, além de sobretaxas para etanol e suco de laranja. As medidas, que já estão em vigor, afetam diretamente setores estratégicos da pauta exportadora nacional.

O novo tarifaço de Trump: o que muda para o Brasil?

As novas tarifas representam um recrudescimento da política protecionista americana. Em 2025, os Estados Unidos importaram US$ 42,8 bilhões em produtos brasileiros, segundo dados do MDIC. Os setores mais atingidos são:

  • Siderurgia: o Brasil é o segundo maior fornecedor de aço para os EUA, atrás apenas do Canadá. As tarifas de 25% devem reduzir a competitividade do produto brasileiro no mercado americano.
  • Alumínio: a alíquota de 10% atinge o setor, que vinha se recuperando após a pandemia.
  • Etanol e suco de laranja: as sobretaxas afetam dois dos principais itens da pauta exportadora do agronegócio brasileiro.

Segundo o Ministério da Agricultura, o Brasil responde por 70% do mercado global de suco de laranja, e os EUA são o principal destino (US$ 1,5 bilhão em 2025).

A estratégia do governo Lula: diálogo e contramedidas

O governo brasileiro adota uma postura dupla: manter o diálogo com Washington e, ao mesmo tempo, preparar contramedidas caso a negociação fracasse. O Ministério das Relações Exteriores já sinalizou que pode recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) e aplicar tarifas retaliatórias sobre produtos americanos.

Em 2025, o Brasil exportou US$ 42,8 bilhões para os EUA e importou US$ 36,2 bilhões (MDIC). A balança comercial favorável ao Brasil é um trunfo nas negociações, mas também um alvo para as pressões protecionistas.

Alckmin evitou falar em retaliação imediata. "Vamos primeiro entender o alcance das medidas, conversar com os setores afetados e buscar uma solução negociada", disse.

Impactos setoriais e a reação do mercado

A indústria siderúrgica brasileira, representada pelo Instituto Aço Brasil, estima que as tarifas podem reduzir as exportações para os EUA em até 30%. Já a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) calcula que as sobretaxas sobre o etanol podem comprometer US$ 1,2 bilhão em vendas anuais.

O mercado financeiro reagiu com cautela. O dólar comercial subiu 0,8% no dia do anúncio, fechando a R$ 5,12. A Bolsa de Valores de São Paulo (B3) caiu 1,2%, puxada por ações de empresas exportadoras.

O que esperar das próximas semanas?

Especialistas em comércio exterior avaliam que a janela de negociação é curta. O governo Trump tem histórico de usar tarifas como ferramenta de pressão política. Para o Brasil, a saída pode passar por concessões em outras áreas, como propriedade intelectual ou compras governamentais.

Vale a pena parar pra pensar: em um cenário de guerra comercial global, o Brasil precisa equilibrar a defesa dos seus interesses com a manutenção de uma relação estratégica com os EUA. A frase de Alckmin, "não saímos da mesa", é um sinal de que o governo aposta no diálogo, mas sem abrir mão de se preparar para o pior.

Perguntas Frequentes

O que é o tarifaço de Trump?

É o conjunto de tarifas de importação impostas pelo presidente Donald Trump sobre produtos brasileiros, incluindo aço, alumínio, etanol e suco de laranja, com alíquotas que variam de 10% a 25%.

Quais setores brasileiros são mais afetados?

Os setores mais atingidos são siderurgia, alumínio, etanol e suco de laranja. Juntos, eles representam cerca de US$ 8 bilhões em exportações anuais para os EUA.

O Brasil vai retaliar?

O governo ainda não definiu contramedidas, mas sinaliza que pode recorrer à OMC e aplicar tarifas retaliatórias sobre produtos americanos, se a negociação fracassar.

Qual o papel de Alckmin nas negociações?

Como vice-presidente e ministro do MDIC, Alckmin lidera a articulação com os setores produtivos e com o governo americano, defendendo o diálogo como primeira via.

Como o mercado reagiu ao anúncio?

O dólar subiu 0,8% e a Bolsa caiu 1,2% no dia do anúncio, refletindo a incerteza sobre os impactos econômicos.

O que pode mudar na relação Brasil-EUA?

O tarifaço pode levar a uma reavaliação dos acordos bilaterais, com o Brasil buscando diversificar parceiros comerciais, como a China e a União Europeia.

Kelly Nascimento

Editoria Curiosidades

Kelly Nascimento cobre o setor de meios de pagamento e crédito no Bombou na Web. Análises técnicas, sem viés comercial.