Curiosidades

Pais menos presentes na criação de filhos, aponta estudo

ResumoO Instituto Nexus, em estudo com 2.013 brasileiros, revela que metade da população considera os pais atuais menos presentes na criação dos filhos. A pesquisa aponta que 8 em cada 10 entrevistados valorizam a paternidade como papel essencial. A percepção de ausência paterna contrasta com a importância atribuída à função, indicando uma lacuna entre ideal e prática parental no Brasil.

Metade dos brasileiros acredita que os pais de hoje estão menos presentes na criação dos filhos. Estudo do Instituto Nexus, com 2.013 pessoas, mostra que 8 em cada 10 veem a paternidade como importante.

Priscila Andrade
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Pais menos presentes na criação de filhos? O que diz o estudo

Metade dos brasileiros acredita que os pais da atualidade estão menos presentes na criação dos filhos do que os das gerações anteriores. O dado vem de um estudo do Instituto Nexus, que ouviu 2.013 pessoas de diferentes regiões do país. Em contrapartida, oito em cada dez brasileiros consideram alta ou muito alta a importância dos pais na vida dos filhos.

A pesquisa revela uma lacuna entre o que se espera da paternidade e o que se observa na prática. Enquanto o discurso valoriza a presença, a percepção geral é de que a participação diminuiu. Esse contraste aparece com força quando os números são separados por gênero e faixa etária.

Metade dos brasileiros vê queda na presença paterna

O levantamento mostra que 50% dos entrevistados acham que os pais de hoje participam menos da criação dos filhos. Esse sentimento não é uniforme: entre as mulheres, 56% acreditam que a participação diminuiu, enquanto 31% veem mais presença. Entre os homens, a percepção é dividida: 44% acham que a participação é maior hoje, e outros 44% afirmam que diminuiu.

A divergência entre os gêneros também aparece na avaliação da importância. Para 81% dos homens, a paternidade tem papel alto ou muito alto no desenvolvimento dos filhos. Entre as mulheres, o índice é de 73%. Ou seja, os homens valorizam mais a própria função, mas as mulheres percebem uma queda maior na prática.

O que define um bom pai? Presença lidera

O estudo também perguntou o que significa, na prática, ser um "bom pai". A resposta mais citada foi "ser presente no dia a dia", com 49% das menções. Em seguida aparecem educar e orientar com limites (19%), demonstrar carinho e afeto (8%), dar exemplo (7%) e oferecer segurança financeira (3%).

A presença diária é mais valorizada pelas mulheres: 53% apontam esse como o principal atributo, contra 45% dos homens. Já a imposição de limites é o destaque para 21% do público masculino e 17% do feminino.

Esses números reforçam uma mudança de mentalidade. O provedor financeiro, que por décadas foi o modelo dominante, ficou em último lugar. A figura do pai que sustenta a casa perdeu espaço para a do pai que participa da rotina.

Faixa etária muda a percepção

A importância da paternidade varia com a idade. Entre os jovens de 16 a 24 anos, 82% consideram a presença paterna alta ou muito alta. Esse reconhecimento cai para 62% entre quem tem 60 anos ou mais. A geração mais nova cresceu com outra expectativa sobre o papel do pai.

O convívio diário é mais relevante para quem está na fase de criar filhos pequenos. Na faixa de 25 a 40 anos, 56% apontam a presença como principal característica de um bom pai. Entre 16 e 24 anos, o índice é de 55%. Já os mais velhos priorizam a educação: 24% das pessoas de 41 a 49 anos e 26% das de 60 anos ou mais escolhem essa opção.

Discurso avançou mais que a prática

Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, avalia que o brasileiro já consolidou a ideia de que o bom pai é aquele presente no dia a dia. "Deixando para trás a figura do mero provedor financeiro", diz. Mas ele pondera: "O desafio agora está na prática".

Tokarski também comenta a contradição central do estudo. "O fato de metade da população enxergar os pais de hoje como menos participativos do que os do passado mostra que o discurso avançou mais rápido do que a mudança real de comportamento dentro de casa."

É uma leitura que conecta os dois principais achados da pesquisa. A sociedade valoriza a presença, mas ainda não transformou isso em rotina. O abismo entre o ideal e o real é o ponto que mais chama atenção.

O que isso significa para as famílias

Para quem acompanha debates sobre paternidade, os números não surpreendem. A pesquisa do Instituto Nexus paternidade ativa e seus efeitos aponta um caminho claro: a presença virou o principal critério de avaliação. Mas a prática ainda engatinha.

O estudo não avalia causas, mas o contexto ajuda a entender. Jornadas de trabalho longas, divisão desigual de tarefas e modelos culturais antigos ainda pesam. A boa notícia é que a percepção de importância é alta, o que abre espaço para mudanças concretas.

Pais que querem se aproximar desse ideal podem começar por gestos simples. Estar presente no dia a dia não exige grandes atos, mas constância. A pesquisa indica que é isso que as famílias esperam.

Perguntas Frequentes

Os pais de hoje são menos presentes do que os do passado?

Segundo o estudo do Instituto Nexus, metade dos brasileiros acredita que sim. Entre as mulheres, 56% têm essa percepção. Entre os homens, a opinião é dividida: 44% veem mais presença e 44% veem menos.

O que a maioria considera um bom pai?

Ser presente no dia a dia é a principal característica para 49% dos brasileiros. Educar com limites vem em seguida (19%), depois carinho e afeto (8%), dar exemplo (7%) e segurança financeira (3%).

A importância da paternidade varia com a idade?

Sim. Entre jovens de 16 a 24 anos, 82% consideram a presença paterna alta ou muito alta. Entre quem tem 60 anos ou mais, o índice cai para 62%.

Homens e mulheres veem a paternidade de formas diferentes?

Há diferenças. Mais homens (81%) do que mulheres (73%) consideram a paternidade importante. E mais mulheres (53%) do que homens (45%) valorizam a presença diária como principal atributo de um bom pai.

O estudo ouviu quantas pessoas?

Foram entrevistadas 2.013 pessoas de diferentes regiões do Brasil, em levantamento do Instituto Nexus.

Estagiário sob supervisão de Odair Braz Junior

Priscila Andrade

Editoria Curiosidades

Priscila Andrade cobre o setor de meios de pagamento e crédito no Bombou na Web. Análises técnicas, sem viés comercial.

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