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Eleitores independentes de MG: série Voto Pendular chega a Minas

ResumoA série Voto Pendular do Jornal da Globo chega a Minas Gerais, estado que, desde a redemocratização, nunca elegeu um presidente sem vencer por lá. Eleitores independentes mineiros definem a disputa presidencial, com comportamento oscilante entre candidatos. A reportagem investiga motivações, rejeições e prioridades desse grupo decisivo no cenário político nacional.

A série Voto Pendular do Jornal da Globo chega a Minas Gerais, estado que, desde a redemocratização, nunca elegeu um presidente sem vencer por lá. Entenda o que pensam os eleitores independentes mineiros.

Otávio Bensaúde
Eleitores independentes de MG: série Voto Pendular chega a Minas

Eleitores independentes de MG: série Voto Pendular chega a Minas — Foto: Reprodução / Bombou na Web

A série especial Voto Pendular, do Jornal da Globo, chega a Minas Gerais depois de passar por São Paulo e Rio de Janeiro. A escolha não é por acaso: desde a redemocratização, nenhum presidente eleito deixou de vencer no estado, com percentuais próximos aos resultados nacionais. Isso faz de Minas um termômetro do país, reunindo diferenças regionais, sociais e econômicas que ajudam a explicar o comportamento do eleitorado brasileiro.

Minas é o quarto maior estado em território, tem o maior número de municípios e o segundo maior eleitorado, atrás apenas de São Paulo. Faz divisa com seis estados e com o Distrito Federal, funcionando como um entroncamento entre o Sudeste, o Centro-Oeste e o Nordeste. Por isso, as campanhas presidenciais mantêm o estado no radar.

O café que virou ponto de encontro da política

Em Belo Horizonte, o papo de Renata Lo Prete e do cientista político Felipe Nunes, da Quaest, começa no Café Nice, no Centro da capital. O local é tradicional ponto de encontro da política mineira, por onde passaram presidentes em campanha desde a redemocratização. Nunes descreve o espaço como uma espécie de "grupo de WhatsApp" da política mineira antes da era digital: "Onde se fala de política de verdade".

Renato Moura Cadeira, dono do café, conta que a tradição vem do pai, que já recebia políticos no balcão. Em uma das fotos do estabelecimento, aparece o ex-presidente Juscelino Kubitschek ao lado do pai dele. Renato afirma que recebe políticos de diferentes partidos da mesma maneira: "É minha obrigação tratar todos iguais, todo mundo bem. Eu não tenho preferência aqui".

Na Feira Hippie, um mosaico de Minas dentro da capital

A equipe segue para a Feira de Artes, Artesanato e Produtores de Variedades, conhecida como Feira Hippie, que reúne mais de 1.500 expositores aos domingos no Centro de BH. O espaço é um retrato da diversidade mineira, com expositores de diferentes regiões do estado.

A influenciadora Silvia Indica conta que o pai e o avô ajudaram a montar as primeiras barracas, quando a feira funcionava na Praça da Liberdade. Durante a pandemia, ela criou um perfil para ajudar os expositores. Hoje, usa a internet para levar os produtos para outras partes do Brasil e para o exterior.

Renda e região explicam diferenças no voto

Nunes explica que o Norte de Minas e o Vale do Jequitinhonha têm forte influência cultural do Nordeste e estão entre as áreas mais pobres do estado. Já o Sul de Minas tem renda mais alta e influência da industrialização de São Paulo. Regiões mais pobres tradicionalmente caminham mais à esquerda, enquanto as mais ricas tendem a votar mais à direita.

A Zona da Mata aparece como região pendular. No segundo turno de 2018, a disputa foi apertada, com pequena margem para o candidato do PT. Em 2022, o partido ampliou a vantagem na região, o que ajudou a consolidar a vitória no estado.

O Centro-Oeste mineiro, onde fica Bambuí, é descrito por Nunes como região de transição econômica e política, com forte presença do agronegócio. A área votou mais à direita nos últimos anos, mas virou território de disputa em 2022.

Violência, oportunidade e voto 'sem curva'

Na feira, a equipe encontrou Seleste Lopes, bordadeira de 71 anos, que veio da Zona da Mata para BH. Ela pretende votar: "Se eu não votar, eu estou me omitindo". Seleste relaciona a violência na capital à falta de oportunidades. Na escolha do candidato, segue um conselho do pai: "Conversa não tem que fazer curva".

A trabalhadora doméstica Jucilene Barboza, do Norte de Minas, e o estudante Julian Rian Rezende da Silva, do Sul do estado, migraram para BH em busca de trabalho e melhores condições. Julian veio de uma cidade com menos de 5 mil habitantes, onde as opções eram basicamente uma padaria ou a roça. Jucilene já deixou de votar uma vez, mas pretende voltar. Julian já mudou de voto algumas vezes: "O importante mesmo é fazer o bem pro Brasil, não importa quem estiver fazendo".

Jucilene é direta sobre a possibilidade de mudar de novo: "Eu já mudei várias vezes e vou mudar de novo".

Otávio Bensaúde

Editoria Curiosidades

Otávio Bensaúde cobre o setor de meios de pagamento e crédito no Bombou na Web. Análises técnicas, sem viés comercial.

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