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Só mulheres são capazes de romper a polarização, diz Gabriela Rollemberg

ResumoGabriela Rollemberg afirma que só mulheres são capazes de romper a polarização política. A declaração insere-se no debate sobre diálogo político e gênero. A psicologia social sugere que mulheres podem ter maior propensão à cooperação e empatia em contextos de conflito, mas a afirmação de Rollemberg carece de comprovação científica universal, sendo uma opinião pessoal sobre o tema.

A frase de Gabriela Rollemberg ecoa um debate atual: por que só mulheres seriam capazes de romper a polarização? Neste artigo, a colunista Kelly Nascimento reflete sobre o contexto dessa afirmação, os desafios do diálogo político e o que a psicologia social tem a dizer sobre gêne

Kelly Nascimento
Só mulheres são capazes de romper a polarização, diz Gabriela Rollemberg

Só mulheres são capazes de romper a polarização, diz Gabriela Rollemberg — Foto: Reprodução / Bombou na Web

Você já se pegou numa discussão de grupo de família ou de WhatsApp em que, de repente, o tom sobe, ninguém se escuta, e a conversa vira um ringue? Talvez você se reconheça aqui: a sensação de que, por mais que tentemos, o diálogo parece impossível. Foi pensando nisso que Gabriela Rollemberg, jornalista e escritora, afirmou: só mulheres são capazes de romper a polarização. A frase, dita em entrevista recente, provocou reações diversas e nos convida a uma reflexão mais profunda sobre o que realmente significa mediar conflitos em tempos de divisão.

Segundo Gabriela Rollemberg, a capacidade de ouvir e de sustentar o contraditório sem romper o vínculo é uma característica mais desenvolvida em mulheres, especialmente as que atuam em espaços de mediação. Ela não generaliza, mas aponta para um padrão observado em sua trajetória profissional e em estudos de psicologia social. A afirmação não é sobre superioridade, mas sobre um repertório emocional e social que, historicamente, foi menos incentivado em homens.

O que a psicologia social diz sobre gênero e diálogo

Pesquisas na área de comunicação não violenta e resolução de conflitos indicam que mulheres tendem a usar mais estratégias de cooperação e escuta ativa em situações de tensão. Não se trata de essencialismo, e sim de socialização: meninas são frequentemente ensinadas a cuidar de relacionamentos, enquanto meninos são incentivados à competição. Esse repertório, quando levado para a política, pode ser um antídoto contra a polarização.

Gabriela Rollemberg não é a primeira a levantar essa hipótese. Em 2023, um estudo conduzido pela Universidade de Princeton mostrou que grupos de negociação com maioria feminina alcançavam acordos 30% mais rápido em cenários de conflito simulado. Os dados reforçam a ideia de que certas habilidades de mediação, embora não exclusivas, são mais frequentes entre mulheres.

O contexto brasileiro: polarização e cansaço

No Brasil, a polarização política se intensificou nos últimos anos. Dados do Datafolha de 2024 indicam que 62% dos brasileiros evitam discutir política com amigos ou familiares por medo de conflitos. Esse dado dialoga com a fala de Gabriela Rollemberg: se a maioria já desistiu do diálogo, quem ainda tenta? Talvez aquelas que, por experiência ou sensibilidade, insistem em ouvir.

Vale a pena parar para pensar: quantas vezes você viu uma mulher assumindo o papel de pacificadora em uma reunião de condomínio ou em um grupo de pais? Não é coincidência. A socióloga norte-americana Deborah Tannen, em seu livro "Você Simplesmente Não Me Entende", já apontava que mulheres usam a linguagem para criar proximidade, enquanto homens a usam para estabelecer status. Essa diferença, quando não reconhecida, alimenta a polarização.

Mas e os homens? Eles não podem romper a polarização?

Gabriela Rollemberg não afirma que homens são incapazes. O que ela diz é que, no cenário atual, as mulheres têm um diferencial que precisa ser valorizado. Homens que desenvolvem escuta ativa e empatia também podem ser mediadores eficazes. A questão é que, culturalmente, esse repertório é menos incentivado neles. Portanto, a frase não é uma exclusão, mas um convite a olhar para quem já está fazendo o trabalho de ponte.

Um exemplo concreto: em 2022, a deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP) mediou um diálogo entre lideranças de esquerda e direita sobre reforma do ensino médio. O acordo, considerado improvável, só foi possível porque ela ouviu ambos os lados sem demonizar ninguém. Gabriela Rollemberg provavelmente se refere a esse tipo de postura.

O que podemos aprender com Gabriela Rollemberg

A afirmação de Gabriela Rollemberg nos convida a repensar o papel do feminino na política e na vida cotidiana. Não como essência, mas como repertório. Se queremos romper a polarização, talvez precisemos valorizar mais a escuta do que a fala, a conexão do que a vitória. E, sim, as mulheres podem nos ensinar algo sobre isso.

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Perguntas Frequentes

Gabriela Rollemberg disse que só mulheres podem romper a polarização?

Sim, em entrevista recente, a jornalista afirmou que as mulheres têm um diferencial na mediação de conflitos por sua maior habilidade de ouvir e sustentar o contraditório sem romper o vínculo.

Essa afirmação é baseada em estudos?

Gabriela Rollemberg cita sua experiência profissional e observações de psicologia social. Estudos como o da Universidade de Princeton (2023) indicam que grupos com maioria feminina alcançam acordos mais rápido em conflitos simulados.

Homens também podem romper a polarização?

Sim, homens que desenvolvem escuta ativa e empatia também podem ser mediadores. A afirmação de Gabriela Rollemberg destaca um padrão observado, não uma regra absoluta.

O que é polarização política?

Polarização política é o fenômeno em que opiniões divergentes se radicalizam, dificultando o diálogo e a busca por consensos. No Brasil, 62% das pessoas evitam discutir política por medo de conflitos, segundo o Datafolha.

Como posso ajudar a romper a polarização?

Praticar escuta ativa, evitar julgamentos precipitados e buscar entender o contexto do outro são passos iniciais. Gabriela Rollemberg sugere que mulheres já fazem isso com mais frequência, mas qualquer pessoa pode aprender.

Kelly Nascimento

Editoria Curiosidades

Kelly Nascimento cobre o setor de meios de pagamento e crédito no Bombou na Web. Análises técnicas, sem viés comercial.