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Direita domina redes com 55% dos políticos mais influentes

Um estudo recente revela que 55 dos 100 políticos mais influentes no Instagram em 2026 são da direita. A pesquisa da Zeeng aponta a eficácia dessas lideranças na mobilização digital.

Bianca Tavares
Direita domina redes com 55% dos políticos mais influentes

Direita domina redes com 55% dos políticos mais influentes — Foto: Reprodução / Bombou na Web

Direita domina redes com 55% dos políticos mais influentes de 2026

No primeiro semestre de 2026, a direita se destacou nas redes sociais, com 55 dos 100 políticos mais influentes no Instagram, conforme um levantamento da empresa de pesquisas Zeeng, divulgado em 16 de julho. Essa dominância evidencia a familiaridade desse grupo político com as plataformas digitais, contrastando com as dificuldades enfrentadas por partidos do centro e da esquerda em eleições anteriores.

Os dados revelam que, no ranking de influência, políticos de centro-direita somaram 21 nomes, enquanto a esquerda teve 11, o centro, 8 e a centro-esquerda, 5. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) lidera o ranking de influência, e o PL se destacou com 8 representantes no top 10. A deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) é a única figura de esquerda entre os dez primeiros, enquanto o vereador de São Paulo, Carlos Bezerra Jr. (PSD), representa o centro.

Para a realização do estudo, a Zeeng monitorou 546 mil publicações em 3,1 mil perfis de políticos brasileiros, contabilizando 2,4 bilhões de interações em posts orgânicos de feed publicados entre 1º de janeiro e 30 de junho de 2026. Vale ressaltar que stories não foram considerados na análise. Os dados foram extraídos da Instagram Graph API, a API oficial da Meta, e replicados exatamente como a plataforma os reporta.

A Zeeng definiu a posição ideológica dos partidos políticos com base em pesquisas em portais e sites, além de comparações com estudos semelhantes de outras empresas. Nas conclusões, o estudo destaca que a dominância da direita reflete a eficácia dessas lideranças em utilizar linguagens diretas, narrativas polarizadas e a ativação contínua de suas bases.

O estudo aponta que esses elementos potencializam a mobilização, fortalecem vínculos ideológicos e maximizam o alcance orgânico nas redes sociais. "A influência política no Instagram, portanto, se mostra altamente concentrada em torno de grupos que melhor dominam o jogo digital", afirma o estudo.

A pesquisadora Paula Vieira, do Lepem (Laboratório de Estudos sobre Política, Eleições e Mídia) da UFC (Universidade Federal do Ceará), afirma que a direita utiliza as redes sociais para "espetacularizar" a política. O Lepem se dedica a analisar e desenvolver bancos de dados sobre eleições em diferentes níveis para entender a dinâmica das redes nos processos políticos e eleitorais.

Paula Vieira explica que a direita foca na mobilização de sentimentos negativos e na simplificação da informação para obter vantagens eleitorais. "A indignação é um sentimento mais fácil de ser mobilizado do que o afeto, o amor", afirma a professora, referindo-se ao livro "Políticas do encanto", do pesquisador em semiótica Paolo Demuru.

Ela compara essa estratégia ao funcionamento de igrejas evangélicas, que utilizam recursos como luzes e som alto para manter a atenção do público. Segundo Paula, há dez anos, a maioria das figuras que entravam na política o faziam pelo carisma de atores e apresentadores, como no caso do deputado federal Tiririca (PSD-SP). Atualmente, essa dinâmica mudou, migrando para influenciadores digitais, que utilizam sensacionalismo e até desinformação para alimentar a indignação constante e aumentar a participação dos usuários.

"Qual é o impacto eleitoral disso? Eu vou usar essa expressão: não dá para desver", diz Paula. Uma vez que a mensagem atinge milhões de pessoas, reverter o efeito é uma tarefa complicada. "O governo ou os apoiadores da esquerda não conseguem desfazer essa quantidade [de visualizações]. A linguagem não tem esse alcance e não gera mobilização do sentimento", conclui Vieira.

A Zeeng monitora perfis políticos desde 2017, contando com mais de 25 mil contas, sendo 3,1 mil de detentores de mandatos em diferentes níveis federativos, incluindo vereadores, prefeitos, deputados estaduais e federais, senadores, governadores, ministros e o presidente da República, além de ex-ocupantes de cargos e pré-candidatos. Figuras públicas com vínculos partidários ativos, como a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, também estão incluídas.

A empresa não aplica seleção editorial ou critérios de corte por indicadores como mínimo de seguidores ou de publicações. De acordo com a Zeeng, todos os perfis políticos cadastrados na base entram na análise, e o ranking é calculado de forma automatizada, utilizando a mesma métrica para todos os perfis.

"Vale o registro de transparência: trata-se de uma base monitorada e acumulada ao longo de 9 anos, com perfis de todos os campos ideológicos e de todo o território nacional, não de um censo de todos os políticos brasileiros", declarou a empresa em nota ao Poder360.

A média de engajamento por publicação foi calculada pelo total de interações dividido pelo número de posts publicados no período. Segundo a Zeeng, essa métrica é preferida ao número de seguidores, pois mede a capacidade real de ativar a audiência, em vez de simplesmente considerar o tamanho acumulado dela. ~1241 palavras.

Perguntas Frequentes

Quais partidos políticos dominam as redes sociais em 2026?

A pesquisa da Zeeng indica que a direita é dominante, com 55 dos 100 políticos mais influentes no Instagram sendo da direita.

Como a pesquisa foi realizada?

A Zeeng monitorou 546 mil publicações em 3,1 mil perfis de políticos brasileiros, totalizando 2,4 bilhões de interações em posts orgânicos.

Quem é o político mais influente no Instagram em 2026?

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) lidera o ranking de influência segundo o estudo da Zeeng.

Qual a importância da mobilização emocional nas redes sociais?

Paula Vieira afirma que a mobilização de sentimentos negativos é mais eficaz para a direita, gerando maior engajamento e alcance nas redes sociais.

Bianca Tavares

Editoria Tecnologia

Bianca Tavares cobre o setor de meios de pagamento e crédito no Bombou na Web. Análises técnicas, sem viés comercial.

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