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EUA fecham acordo nuclear com Arábia Saudita e autorizam enriquecimento de urânio

ResumoO acordo nuclear civil EUA-Arábia Saudita autoriza o enriquecimento de urânio em território saudita sem a exigência do Protocolo Adicional da AIEA. O pacto reacende o debate sobre proliferação nuclear e pode alterar o equilíbrio geopolítico no Oriente Médio.

Os EUA fecharam um acordo nuclear civil com a Arábia Saudita que autoriza o enriquecimento de urânio em solo saudita, sem a exigência do Protocolo Adicional da AIEA. O pacto, assinado nesta semana, reacende o debate sobre proliferação e pode impactar o equilíbrio geopolítico no O

Wesley Tanaka
EUA fecham acordo nuclear com Arábia Saudita e autorizam enriquecimento de urânio

EUA fecham acordo nuclear com Arábia Saudita e autorizam enriquecimento de urânio — Foto: Reprodução / Bombou na Web

Por que esse acordo nuclear muda as regras do jogo

O governo dos Estados Unidos e a Arábia Saudita acabam de fechar um acordo de cooperação nuclear civil que, pela primeira vez, autoriza o enriquecimento de urânio em solo saudita. O ponto mais controverso? A ausência da exigência do Protocolo Adicional da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), aquele mecanismo que permite inspeções sem aviso prévio em instalações não declaradas.

O que está no texto do Acordo 123

O pacto, conhecido como Acordo 123, foi assinado pelo secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, e pelo príncipe Abdulaziz bin Salman, ministro da Energia da Arábia Saudita. Segundo o Departamento de Energia norte-americano, o texto inclui um acordo bilateral de salvaguardas e atende às exigências da legislação americana sobre não proliferação nuclear.

O documento será encaminhado ao Congresso dos Estados Unidos. Se os parlamentares não reunirem votos suficientes para barrá-lo dentro do prazo de 90 dias de sessão, o acordo passará a valer automaticamente. Para derrubar um eventual veto presidencial, seria necessária maioria de dois terços nas duas Casas.

Por que a ausência do Protocolo Adicional acendeu alertas

O Protocolo Adicional foi criado justamente para ampliar a capacidade de fiscalização da AIEA sobre atividades nucleares clandestinas. O instrumento ganhou relevância diante das declarações do príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, que já afirmou, em diferentes ocasiões, que a Arábia Saudita desenvolveria uma arma nuclear caso o Irã chegasse ao mesmo patamar.

A mudança representa uma diferença em relação às tratativas conduzidas anteriormente pelos Estados Unidos e reacendeu o debate entre especialistas que defendem mecanismos mais rigorosos para impedir a proliferação de armas nucleares.

O histórico: de Trump a Biden

As negociações começaram ainda durante o primeiro mandato de Donald Trump e foram mantidas na gestão de Joe Biden. Há mais de um ano, a Arábia Saudita deixou o modelo simplificado de supervisão da AIEA e passou a ser submetida às salvaguardas regulares aplicadas às instalações nucleares oficialmente declaradas. Essa mudança fazia parte da estratégia saudita de expansão do setor, que prevê, há bastante tempo, a capacidade de enriquecer urânio.

O Irã, por sua vez, chegou a adotar o Protocolo Adicional no âmbito do acordo nuclear firmado em 2015 com as principais potências mundiais. O compromisso perdeu força após a retirada dos Estados Unidos do tratado, em 2018, durante o governo Trump. Em 2023, Teerã também deixou de aplicar o protocolo.

O que dizem os especialistas

A decisão recebeu críticas de especialistas em não proliferação nuclear. Para eles, permitir que a Arábia Saudita enriqueça urânio sem aderir ao Protocolo Adicional pode aumentar os riscos de desenvolvimento de um programa militar no futuro.

A diretora de política de não proliferação da Associação de Controle de Armas, Kelsey Davenport, pediu que o Congresso modifique ou rejeite o acordo para evitar, segundo ela, o enfraquecimento dos mecanismos internacionais de controle.

O negócio bilionário por trás do pacto

O acordo prevê uma parceria de aproximadamente 30 anos para a construção de reatores nucleares do modelo AP1000, em um contrato avaliado em dezenas de bilhões de dólares. A iniciativa beneficia a Westinghouse, empresa controlada pela canadense Cameco e pela Brookfield Asset Management.

Outro ponto destacado é o interesse estratégico da Arábia Saudita em estabelecer uma parceria com Washington. O governo saudita já havia afirmado que, caso não chegasse a um entendimento com os Estados Unidos, poderia buscar cooperação com China ou Rússia, que seguem padrões diferentes de fiscalização nuclear.

Perguntas Frequentes

O que é o Acordo 123?

É o nome do pacto nuclear civil assinado entre EUA e Arábia Saudita, que autoriza o enriquecimento de urânio e a construção de reatores AP1000.

Por que o Protocolo Adicional da AIEA é importante?

Ele permite inspeções surpresa em instalações não declaradas, ampliando a capacidade de detectar atividades nucleares clandestinas.

Quem assinou o acordo?

O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, e o ministro da Energia saudita, príncipe Abdulaziz bin Salman.

O acordo já está valendo?

Não. O texto segue para o Congresso americano, que tem 90 dias de sessão para barrá-lo. Caso contrário, entra em vigor automaticamente.

O que a Arábia Saudita ganha com isso?

Acesso à tecnologia nuclear americana, capacidade de enriquecer urânio em seu território e a construção de reatores AP1000 pela Westinghouse.

Esse acordo pode levar a uma corrida armamentista?

Especialistas alertam que a ausência do Protocolo Adicional aumenta os riscos de proliferação, especialmente diante das declarações do príncipe herdeiro sobre desenvolver armas nucleares se o Irã o fizer.

Wesley Tanaka

Editoria Tecnologia

Wesley Tanaka cobre o setor de meios de pagamento e crédito no Bombou na Web. Análises técnicas, sem viés comercial.