Mídia estrangeira destaca o Pix e refuta críticas de Trump
A mídia estrangeira, representada pela The Economist e pelo Wall Street Journal, destaca o sucesso do Pix como sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central. As publicações refutam as críticas de Trump, afirmando que as acusações de protecionismo se baseiam em premissas frágeis e que o sistema foi criado para bancarizar a população de baixa renda, não para prejudicar empresas americanas.
Por que a mídia internacional defende o Pix?
A revista britânica The Economist e o jornal norte-americano The Wall Street Journal publicaram, na última semana, reportagens que ressaltam a importância do sistema brasileiro de pagamentos instantâneos. Ambas as publicações refutam as críticas feitas pelo presidente dos EUA, Donald Trump (Partido Republicano), que acusa o Pix de ser um instrumento protecionista que prejudica empresas americanas, principalmente Visa e Mastercard.
Os argumentos da The Economist
A Economist afirma que as acusações contra o Pix não se sustentam porque se baseiam em "premissas frágeis: que é um instrumento protecionista e que prejudicou empresas de pagamento americanas (principalmente Visa e Mastercard)". A publicação explica que qualquer instituição financeira licenciada que opere no país pode se conectar à rede livremente, e menciona a facilidade de acesso aos consumidores.
A revista também refuta o argumento de Trump de que o sistema foi criado para prejudicar empresas de pagamento dos EUA. Segundo a Economist, a criação foi motivada pela necessidade de bancarizar a população de baixa renda, para a qual a ausência de taxas é o principal atrativo. Como consequência, "ao tornar as transferências gratuitas e instantâneas para os consumidores, o Pix incentivou as pessoas a manterem seus salários e economias em contas bancárias em vez de sacá-los", afirma a publicação.
Apesar de defender o sistema, a Economist concorda que a estrutura pode levantar "questões legítimas sobre a concentração de tanto controle sobre um sistema de pagamentos e os dados financeiros que ele gera em uma única instituição", o Banco Central.
O que diz o Wall Street Journal
O Wall Street Journal destaca que muitos sistemas privados, inclusive alguns americanos, não são seguros e arcam com custos de prevenção a fraudes, tecnologia e retorno aos acionistas por meio de taxas, "o que torna quase impossível para eles competirem" com o Pix.
O jornal lembra que a Seção 301 da lei comercial norte-americana permite que presidentes imponham tarifas comerciais permanentes, mas destaca que o dispositivo nunca antes havia visado explicitamente o sistema de pagamentos doméstico de outro país. A reportagem sublinha que o Pix foi aclamado pelo Banco Mundial e pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) como um modelo de inclusão financeira em uma das sociedades mais desiguais do mundo: "Outros países têm estudado o sistema brasileiro ao projetarem os seus próprios".
O contexto da tarifa de 25%
A tarifa de 25% foi proposta em 1º de junho de 2026, após o USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA) concluir a investigação da Seção 301 contra o Brasil. O governo norte-americano apresentou a medida como resposta ao que classifica como práticas comerciais injustas.
O documento do USTR lista como alvos da apuração temas como Pix, comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, proteção à propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal. Uma das conclusões aponta que o Brasil adota políticas públicas que favorecem o Pix e colocam empresas norte-americanas do setor de pagamentos eletrônicos em "desvantagem injusta".
Audiência pública e ausência do governo brasileiro
Em 6 e 7 de julho, o escritório promoveu uma audiência pública antes da decisão final sobre a proposta de imposição de tarifas de 25%. O governo Lula optou por não enviar representantes para discursar. Os únicos presentes foram integrantes da Embaixada do Brasil em Washington, que compareceram na condição de observadores.
O senador e pré-candidato ao Planalto Flávio Bolsonaro (PL) esteve presente no 2º dia de audiência.
O que observar nos próximos dias
A decisão final sobre a tarifa de 25% ainda não foi tomada. O USTR deve considerar os argumentos apresentados na audiência pública antes de definir se aplica ou não a medida. Enquanto isso, a defesa do Pix pela mídia internacional reforça a percepção de que o sistema brasileiro é um caso de sucesso reconhecido globalmente, e que as críticas de Trump podem ter mais motivação política do que fundamento técnico.
Perguntas Frequentes
Por que a mídia estrangeira defende o Pix?
Porque as reportagens da The Economist e do Wall Street Journal consideram que as acusações de Trump se baseiam em premissas frágeis e que o sistema foi criado para inclusão financeira, não para prejudicar empresas americanas.
O que a The Economist diz sobre as críticas de Trump?
A Economist afirma que as acusações não se sustentam, pois o Pix é um sistema aberto a qualquer instituição financeira licenciada, e sua criação foi motivada pela necessidade de bancarizar a população de baixa renda.
O Wall Street Journal concorda com a tarifa de 25%?
Não. O jornal destaca que a Seção 301 nunca antes havia sido usada para mirar o sistema de pagamentos doméstico de outro país, e que o Pix foi aclamado pelo Banco Mundial e FMI como modelo de inclusão financeira.
Quais são os argumentos do governo Trump contra o Pix?
O USTR alega que o Brasil adota políticas públicas que favorecem o Pix e colocam empresas norte-americanas do setor de pagamentos eletrônicos em "desvantagem injusta".
O governo brasileiro participou da audiência pública?
Não. O governo Lula optou por não enviar representantes para discursar. Apenas integrantes da Embaixada do Brasil em Washington compareceram como observadores.
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