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Setor farmacêutico cresce 14% com genéricos e remédios para obesidade

ResumoO varejo farmacêutico brasileiro faturou R$ 278 bilhões nos últimos 12 meses, com crescimento de 14,03% impulsionado por medicamentos genéricos e remédios para obesidade como Mounjaro e Wegovy. Genéricos representam 45,7% das unidades vendidas no canal distribuidor, enquanto as vendas em volume cresceram apenas 3,07%.

O varejo farmacêutico brasileiro faturou R$ 278 bilhões nos últimos 12 meses, alta de 14,03%. Enquanto as vendas em volume cresceram apenas 3,07%, medicamentos como Mounjaro e Wegovy dispararam. Genéricos já representam 45,7% das unidades vendidas no canal distribuidor.

Priscila Andrade
Setor farmacêutico cresce 14% com genéricos e remédios para obesidade

Setor farmacêutico cresce 14% com genéricos e remédios para obesidade — Foto: Reprodução / Bombou na Web

O varejo farmacêutico brasileiro vive um momento de transformação que vai além do simples aumento de vendas. O setor cresce em ritmo acelerado, mas agora o motor são os medicamentos de maior valor agregado, especialmente os voltados ao tratamento da obesidade, diabetes e doenças crônicas, enquanto os genéricos se consolidam como a principal porta de acesso da população aos tratamentos.

Nos últimos 12 meses encerrados em junho de 2026, o mercado farmacêutico movimentou R$ 278 bilhões, com alta de 14,03% no faturamento. Mas o volume de medicamentos vendidos cresceu apenas 3,07%. Em junho, a diferença ficou ainda mais clara: o faturamento subiu 9,86%, enquanto o número de unidades comercializadas caiu 0,5%. Ou seja, o setor está ganhando dinheiro não porque as pessoas estão comprando mais remédios, mas porque os remédios que estão comprando custam mais caro.

O que está por trás do crescimento de 14% no faturamento?

Levantamento da Close-Up International mostra que o canal farmácia movimentou R$ 140,7 bilhões em preço cheio apenas no primeiro semestre de 2026, alta de 13,3% em relação ao mesmo período de 2025. Especialistas apontam que o comportamento representa uma mudança estrutural: medicamentos mais complexos passaram a ocupar um espaço cada vez maior nas prateleiras e no carrinho do consumidor.

Os produtos sujeitos à prescrição médica (MPX) lideram essa transformação. A categoria registrou crescimento de 17,49% em faturamento nos últimos 12 meses, desempenho muito superior ao de medicamentos isentos de prescrição e produtos tradicionais. É ali que estão os verdadeiros vetores de valor.

Remédios para obesidade e diabetes: o fenômeno GLP-1

Um dos dados que mais chama atenção está na performance de medicamentos específicos. O Mounjaro registrou crescimento impressionante de 1.390,87% em receita no período analisado. O Wegovy também aparece entre os líderes em faturamento. Já o Forxiga, usado no tratamento de diabetes, apresentou expansão de 67,39%. Esses números refletem a rápida incorporação dos agonistas de GLP-1 ao mercado nacional.

Apesar desse avanço financeiro, os medicamentos mais vendidos em quantidade continuam sendo produtos de uso contínuo e amplo consumo, como Glifage XR, Neosoro e Losartana. O volume e o faturamento passaram a seguir caminhos diferentes.

Genéricos: o motor do volume e do acesso

Se os medicamentos inovadores elevam o faturamento, os genéricos continuam sendo o principal motor do crescimento em volume. Segundo a Close-Up International, os genéricos cresceram 13,13% em unidades vendidas e aproximadamente 21% em faturamento entre os medicamentos prescritos. Nos medicamentos isentos de prescrição, enquanto os produtos de marca avançaram apenas 2,02%, os genéricos registraram crescimento de 12,11% em volume.

Dados da Abradilan reforçam essa tendência. Atualmente, os genéricos representam 41,1% do faturamento e 45,7% das unidades comercializadas pelo canal distribuidor ligado à entidade. O avanço demonstra que, diante do aumento dos preços médios dos medicamentos, consumidores passaram a recorrer cada vez mais aos genéricos para manter tratamentos contínuos sem comprometer o orçamento familiar.

Onde o mercado mais cresce?

Embora o Sudeste permaneça como o maior mercado consumidor do país, Norte e Nordeste registram os maiores índices de crescimento. É um sinal de que a capilaridade das redes farmacêuticas e a demanda por medicamentos estão se espalhando por regiões antes menos atendidas.

Farmácias como centros de saúde e conveniência

O varejo farmacêutico amplia sua atuação além da venda de medicamentos. Grandes redes investem em serviços clínicos, vacinação, exames rápidos, programas de acompanhamento de pacientes e canais digitais, transformando as farmácias em centros de saúde e conveniência. O comércio eletrônico também mantém forte expansão, reforçando a integração entre lojas físicas e plataformas digitais.

O que esperar do setor farmacêutico nos próximos meses?

Com um mercado que já movimenta R$ 278 bilhões ao ano, o setor farmacêutico brasileiro vive uma nova etapa de crescimento. A combinação entre medicamentos inovadores, fortalecimento dos genéricos, protagonismo da indústria nacional e ampliação dos serviços prestados pelas farmácias indica que a expansão do segmento continuará sendo impulsionada não apenas pelo aumento do consumo, mas principalmente pela geração de valor e pela evolução do cuidado em saúde.

Perguntas Frequentes

O que fez o setor farmacêutico crescer 14%?

O crescimento foi puxado por medicamentos de alto valor agregado, como os agonistas de GLP-1 (Mounjaro, Wegovy) e pelo avanço dos genéricos, que cresceram mais de 13% em volume.

Quanto o setor farmacêutico faturou em 2026?

Nos últimos 12 meses encerrados em junho de 2026, o mercado alcançou R$ 278 bilhões. Só no primeiro semestre, foram R$ 140,7 bilhões.

Genéricos ou medicamentos de marca: o que mais cresceu?

Os genéricos cresceram mais em volume: 13,13% contra 2,02% dos produtos de marca isentos de prescrição. Em faturamento, os genéricos também avançaram cerca de 21% entre os medicamentos prescritos.

Qual remédio para obesidade mais vendeu?

O Mounjaro registrou crescimento de 1.390,87% em receita. O Wegovy também aparece entre os líderes de faturamento.

O volume de vendas cresceu na mesma proporção que o faturamento?

Não. Enquanto o faturamento subiu 14,03%, o volume de medicamentos vendidos aumentou apenas 3,07%. Em junho, o volume até recuou 0,5%.

genéricos no Brasil: panorama 2026 como os agonistas de GLP-1 estão mudando o tratamento da obesidade

Priscila Andrade

Editoria Tecnologia

Priscila Andrade cobre o setor de meios de pagamento e crédito no Bombou na Web. Análises técnicas, sem viés comercial.

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