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Trump fala em concorrer a novo mandato e veste boné de 2028

Donald Trump, presidente dos EUA, afirmou que planeja concorrer à presidência novamente em 2028 durante jantar com jornalistas. Ele usou um boné com a inscrição 'Trump 2028' e fez declarações sobre sua trajetória política.

Wesley Tanaka
Trump fala em concorrer a novo mandato e veste boné de 2028

Trump fala em concorrer a novo mandato e veste boné de 2028 — Foto: Reprodução / Bombou na Web

Donald Trump, presidente dos EUA pelo Partido Republicano, afirmou nesta sexta-feira (24.jul.2026) que planeja concorrer novamente à presidência em 2028. A declaração foi feita durante um jantar com jornalistas que cobrem a Casa Branca, remarcado após um incidente em abril, quando um atirador tentou atingir o presidente no evento.

Trump vestiu um boné com os dizeres "Trump 2028" e mencionou que concorreria a um "4º mandato". O republicano costuma afirmar que venceu as eleições de 2020 contra Joe Biden (Partido Democrata) e fala repetidamente em fraude eleitoral. "Ganhei 3 vezes e vou fazer isso de novo. Deve ser fácil. Estou ficando muito bom em concorrer à Presidência. Ganhei 3 vezes e me saí muito bem na 2ª vez, aliás. Eleição fraudada, mas não precisamos falar sobre isso", declarou Trump.

A Constituição dos EUA estabelece que não é permitida a acumulação de mais de dois mandatos presidenciais, conforme a 22ª emenda.

O discurso de Trump teve duração de pouco mais de uma hora e manteve um tom descontraído. Ele mencionou que havia preparado um discurso mais contundente para a edição cancelada do evento, com críticas diretas aos jornalistas presentes. Não deixou de ironizar os convidados, afirmando: "Este lugar reúne, provavelmente, a maior concentração de pessoas com a chamada 'Síndrome de Perturbação por Trump' já vista ao mesmo tempo. Alguns de vocês tiveram sorte de o nosso último jantar ter sido interrompido, porque eu havia preparado algo especial. Estou falando sério. Eu tinha preparado um discurso pesado contra vocês".

Esse foi o primeiro ano em que Trump compareceu ao jantar promovido por jornalistas. O presidente havia se recusado a ir durante seu primeiro mandato devido ao tratamento que recebeu da mídia. Entretanto, no final de seu discurso, afirmou que "tem respeito" pela profissão dos jornalistas setoristas.

O presidente fez declarações jocosas que não geraram muitas risadas na plateia. Um dos momentos constrangedores foi quando insistiu em repetir uma piada de baixo calão: "Outro dia, um senador que eu conhecia, um cara gente boa, recebeu uma mensagem da mulher, dizendo: 'Quando você chegar em casa, quero que suba as escadas imediatamente e faça amor comigo'. E ele respondeu: 'Não dá para fazer as duas coisas'. Sabe? Em outras palavras: não dá para subir as escadas e fazer amor. Alguém entendeu? Bom, eu achei isso muito bom. Na verdade, foi a única coisa boa naquele discurso estúpido e maldito que escreveram".

Trump também abordou a questão do Irã, reiterando que não permitirá que o país desenvolva armas nucleares. "Eles adorariam fechar um acordo. Não acho que estejam prontos para isso. Não creio que seja o momento ainda, mas estou disposto a ouvir. Mas eles não podem ter uma arma nuclear", afirmou.

O presidente ironizou o senador Chuck Schumer (Partido Democrata) por sua posição em relação a Israel, além de criticar o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani (Partido Democrata), por mencionar a possibilidade de prender o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, caso ele visitasse a cidade. "Vou enviar a ele [Schumer] uma linda roupa palestina amanhã para que ele possa receber o Bibi Netanyahu quando ele vier à cidade na semana que vem, junto com o prefeito - que, tenho certeza, adoraria conhecer o Bibi. Eles não estão tratando o Bibi muito bem", disse Trump.

Além disso, o presidente fez críticas ao governador da Califórnia, Gavin Newsom, que não compareceu ao jantar, e mencionou a falha em conter incêndios no estado. Ele comentou: "Achei uma pena que Gavin Newsom não tenha vindo. Ele deveria estar aqui. Ouvi dizer que, recentemente, declarou que 'precisamos combater fogo com fogo'. Para ser justo, a única coisa que sabemos sobre Gavin é que ele definitivamente não gosta de combater incêndios com água".

Trump também ridicularizou a ex-vice-presidente Kamala Harris, aliada de Newsom. "A situação ficou ainda pior quando ele [Newsom] afirmou, espontaneamente, que Kamala Harris era mais inteligente do que ele. Disse literalmente: 'Kamala é mais inteligente do que eu'. Sinceramente, se Kamala Harris é mais inteligente do que alguém... essa pessoa realmente tem um problema", afirmou.

O ex-presidente Barack Obama também foi alvo de piadas de Trump. "Mas, geralmente, um comediante apresenta esse jantar. E acho que meio que mudamos isso. Houve uma ocasião específica em que Barack Hussein Obama foi o apresentador. Alguém sabe quem é ele?", disse o republicano.

Durante o evento, foi prestada uma homenagem ao agente do Serviço Secreto Victor Gonzales, que foi baleado em abril ao tentar conter o ataque durante o evento. Gonzales usava colete à prova de balas e foi o único ferido naquela noite. Funcionários do Washington Hilton que ajudaram os convidados durante o incidente também foram homenageados.

Trump aproveitou a oportunidade para defender a construção de um novo salão de eventos na Casa Branca, no local da antiga Ala Leste demolida. Ele descreveu o espaço como dotado de vidros à prova de balas e parte de um complexo militar, com um porto para drones no telhado. O presidente sugeriu que o ataque de abril poderia ter sido evitado se o evento tivesse sido realizado nesse novo espaço.

O jantar, tradicionalmente realizado no Arlington Hotel, foi transferido para o hotel Waldorf Astoria, em Washington, por questões de segurança. Trump afirmou que usava um colete à prova de balas durante o evento.

Neste jantar, a esposa do presidente, Melania Trump, e o vice-presidente JD Vance (Partido Republicano) não estavam presentes.

Em 25 de abril, um homem armado - identificado como Cole Allen - tentou invadir o espaço onde o evento estava sendo realizado, no Washington Hilton Hotel, mas foi contido e detido por agentes do Serviço Secreto. Em 11 de maio, Allen se declarou inocente das acusações de tentativa de assassinato do presidente. O atirador enfrenta várias acusações, incluindo tentativa de assassinato do presidente, agressão a um agente federal e crimes relacionados ao uso de armas de fogo.

Allen, de 31 anos, morador de Torrance, na Califórnia, fez uma doação para a campanha da então candidata e vice-presidente Kamala Harris, em outubro de 2024. Registros da Comissão Eleitoral Federal indicam que ele doou US$ 25 (cerca de R$ 125) para o ActBlue, um comitê de ação política que arrecada fundos para democratas.

O jantar foi organizado pela WHCA (Associação dos Jornalistas que fazem a Cobertura da Casa Branca). A tradução correta do termo "correspondent" não é "correspondente" em português, pois são falsos cognatos com significados diferentes. Nos EUA, um jornalista que atua em um determinado setor para acompanhar um assunto do noticiário é chamado de "correspondent".

Wesley Tanaka

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Wesley Tanaka cobre o setor de meios de pagamento e crédito no Bombou na Web. Análises técnicas, sem viés comercial.

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