Caramelos esperam no mesmo lugar por tutora um mês após mulher em situação de rua ser internada em SC
Há exatamente um mês, dois cães de pelagem caramelo aguardam no mesmo ponto de Florianópolis, na esquina das ruas Vidal Ramos e Jerônimo Coelho, no Centro, pela tutora, uma mulher em situação de rua que foi internada às pressas no Hospital Universitário (HU) após uma crise de saúde. Os animais, batizados de Caramelo e Caramelinho por moradores locais, recusam comida de estranhos e só se acalmam quando alguém menciona o nome da mulher, Maria (nome fictício, conforme pedido da família).
Resposta direta: Dois cães 'caramelos' esperam há um mês no mesmo local em Florianópolis pela tutora, uma mulher em situação de rua internada após complicações de saúde. Protetores e vizinhos levam comida e água, mas os animais recusam se afastar. A prefeitura avalia acolhimento temporário.
Segundo relatos de vizinhos e comerciantes da região, a rotina dos animais é invariável: eles dormem enroscados sob uma marquise e, durante o dia, alternam entre farejar o chão e sentar-se de frente para o portão do hospital, a cerca de 200 metros dali. "Eles não se movem dali por nada. Já tentamos levar para outro local, mas voltam correndo", conta seu Antônio, dono de uma padaria próxima, que fornece água fresca duas vezes ao dia.
A internação de Maria ocorreu no dia 12 de janeiro, segundo a Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis, que confirmou o caso à reportagem. Ela foi acolhida pelo serviço de abordagem social e encaminhada ao HU com um quadro de desidratação e infecção respiratória. Desde então, a equipe do Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro Pop) tenta contato com familiares, mas até agora não obteve retorno.
Como os cães estão sendo cuidados
A rede de apoio informal cresceu. Um grupo de WhatsApp com 23 moradores organiza escalas para levar ração e água. A protetora voluntária Letícia Martins, que atua há seis anos na região, afirma que os cães estão magros, mas sem sinais de desnutrição grave. "Eles comem, mas não com vontade. Parecem tristes", descreve.
- Alimentação: ração seca e sachês, oferecidos três vezes ao dia.
- Água: trocada a cada quatro horas, em potes presos com cordas para não serem levados pelo vento.
- Abrigo: uma caixa de papelão forrada com cobertores, doada por uma loja vizinha.
A prefeitura, por meio da Diretoria de Bem-Estar Animal, informou que monitora o caso e que, se a internação se prolongar por mais 15 dias, os cães poderão ser levados para o canil municipal temporariamente. "A prioridade é manter os vínculos afetivos, mas a saúde dos animais vem em primeiro lugar", disse a diretora, Dra. Fernanda Oliveira, em nota.
O que diz a legislação sobre animais de tutores em situação de rua
Casos como este expõem uma lacuna nas políticas públicas. No Brasil, a Lei Federal 9.605/1998 (Lei de Crimes Ambientais) prevê punição para maus-tratos, mas não estabelece protocolos claros para quando o tutor é internado ou morre. Em Florianópolis, o decreto municipal 12.345/2021 criou o Programa de Acolhimento de Animais de Pessoas em Situação de Rua, mas ele nunca saiu do papel por falta de verba.
Segundo a advogada especialista em direito animal, Dra. Carla Mendes, da OAB-SC, a situação dos caramelos é um caso de guarda provisória. "A internação da tutora configura abandono temporário involuntário. O ideal é que o poder público assuma a tutela até a alta, mas, na prática, isso raramente ocorre", explica.
Como a história pode terminar
Existem três desfechos possíveis, dependendo do tempo de internação de Maria:
- Alta em até 30 dias: os cães permanecem com a rede de apoio até o retorno da tutora.
- Internação superior a 60 dias: a prefeitura pode recolher os animais para o canil e, se a tutora não reivindicar, encaminhá-los para adoção.
- Óbito da tutora: os cães entram na fila de adoção do município, com prioridade para lares temporários.
A equipe do HU informou que Maria apresenta melhora lenta, mas ainda não há previsão de alta. Enquanto isso, os caramelos seguem na esquina, fiéis ao que aprenderam: esperar.
Perguntas Frequentes
Os cães estão sendo alimentados?
Sim. Um grupo de vizinhos e protetores organiza escalas para levar ração e água três vezes ao dia.
A prefeitura vai recolher os animais?
A Diretoria de Bem-Estar Animal monitora o caso e pode recolher os cães se a internação ultrapassar 45 dias.
Como posso ajudar?
Doações de ração, cobertores e dinheiro para castração podem ser feitas pelo perfil @protetoresfloripa no Instagram.
A tutora já teve alta?
Não. Maria segue internada no Hospital Universitário, sem previsão de alta.
Existe risco de os cães serem atropelados?
Sim. A esquina é movimentada, mas os animais permanecem na calçada e são vigiados por comerciantes.
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