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Pouso de emergência e incêndio: piloto preso com avião carregado de cocaína em GO

ResumoO piloto Henrique Donizeti Ferri, de 32 anos, foi preso em Itarumã (GO) após realizar pouso de emergência com avião carregado de 342 kg de cocaína. Ferri ateou fogo no monomotor para destruir provas, mas foi localizado pela polícia durante cerco. A carga de entorpecente foi encontrada em sacos.

O piloto Henrique Donizeti Ferri, de 32 anos, foi preso após fazer um pouso de emergência com um avião carregado de cocaína em Itarumã (GO). Ele colocou fogo no monomotor para destruir provas, mas foi localizado pela polícia após um cerco. A carga de 342 kg foi encontrada em saco

Otávio Bensaúde
Pouso de emergência e incêndio: piloto preso com avião carregado de cocaína em GO

Pouso de emergência e incêndio: piloto preso com avião carregado de cocaína em GO — Foto: Reprodução / Bombou na Web

Pouso de emergência e incêndio para apagar provas: o que se sabe sobre piloto preso com avião carregado de cocaína em GO

O piloto Henrique Donizeti Ferri, de 32 anos, foi preso após fazer um pouso de emergência com um avião carregado de cocaína em Itarumã, no oeste de Goiás. O caso chamou a atenção pela estrutura envolvida e pela dinâmica dos fatos. Ele colocou fogo no monomotor para tentar destruir provas. Veja o que se sabe até agora.

Como foi o pouso de emergência e a queda

Ao sobrevoar Goiás, no trajeto do Mato Grosso, em uma área próxima à Bolívia, até a região de Frutal, em Minas Gerais, o avião de Henrique apresentou uma pane mecânica. A falha obrigou o piloto a fazer um pouso forçado na zona rural de Itarumã.

O que aconteceu com a carga de cocaína

De acordo com o relato da polícia, que consta do termo de audiência de custódia do Tribunal de Justiça de Goiás, após a queda Henrique determinou que caseiros de uma fazenda descarregassem e escondessem a carga. A droga, 342 kg de cocaína, foi encontrada em sacolas, escondidas na mata, quando a polícia chegou ao local.

Por que o piloto ateou fogo no avião

Segundo a polícia, Henrique colocou fogo no monomotor com o objetivo de destruir provas do crime de tráfico de drogas. Um vídeo feito pela Polícia Militar mostra um galão de combustível jogado no chão, ao lado do avião destruído.

Ao decidir manter o piloto preso, o juiz Gabriel Carneiro Santos Rodrigues destacou o que o investigado conseguiu destruir com o incêndio. "Suprimindo de uma só vez marcas de identificação, registros de bordo, aviônicos e todo o acervo de vestígios que a perícia dela poderia extrair", afirmou o magistrado.

A estrutura por trás do transporte de drogas

Em entrevista ao g1, o coronel Heber Souza Bastos, do 5° Batalhão Rodoviário da Polícia Militar, que participou da operação de buscas, disse que o próprio piloto contou que foi contratado para fazer três viagens. "Ele foi contratado pelo dono da aeronave. Ele já tinha efetuado outras duas viagens. Essa era a terceira. E ele receberia R$ 70 mil por viagem", disse o coronel.

O juiz Gabriel destacou isso em sua decisão, dizendo que as anotações de diversas pistas de pouso, encontradas pela polícia, são indícios de "utilização de rotas já estruturadas para uso reiterado de transporte de entorpecentes". Para o magistrado, ficou demonstrada "sofisticação logística" no caso.

Entre os elementos que comprovam isso estão: a própria aeronave; rotas previamente cartografadas; pistas de pouso alternativas anotadas com coordenadas geográficas; referências de relevo e obstáculos a evitar em navegação; telefone satelital destinado à comunicação em áreas desprovidas de cobertura; e rede terrestre de apoio mobilizável em poucas horas.

Como o piloto foi localizado e preso

Henrique foi encontrado pela polícia na madrugada do dia seguinte ao da queda, depois de passar horas fugindo pela mata. Os policiais conseguiram localizá-lo após montarem um cerco na região. Durante o cerco, encontraram um carro parado às margens de uma estrada de terra, próximo à GO-206. Nele, estavam o pai, a esposa e um amigo de Henrique, que, após apresentarem versões contraditórias, confessaram o plano de fuga.

O trio havia combinado de aparecer com o carro, um Ford Ka, e piscar o farol três vezes, como um sinal para Henrique sair e entrar no veículo. Ele conseguiu se comunicar com os parentes porque tinha um telefone que funcionava por satélite.

"O pessoal nosso acompanhou, chegou ao local pré-estabelecido e fez conforme (os familiares e o piloto) haviam combinado. Ele saiu do mato e aí as equipes procederam à abordagem", contou o coronel Heber.

Além de Henrique, o pai, a esposa e o amigo foram levados para a delegacia da Polícia Federal de Jataí. Como os nomes deles não foram divulgados, o g1 não conseguiu informações se foram mantidos presos ou liberados.

O que diz a defesa do piloto

O advogado de Henrique, Luís Henrique Viana dos Reis, disse ao g1 que vai buscar a liberdade do cliente, uma vez que ele é réu primário e trabalhador. "Ele não possui qualquer antecedente criminal, é trabalhador, possui remuneração lícita. Nós vamos tentar reverter, conseguir liberdade provisória", disse.

Perante o juiz, Henrique informou ser empresário e ter uma renda média mensal de R$ 12 mil. Ele nasceu em Ribeirão Preto, em São Paulo, onde também mora.

O que a Justiça decidiu

Para o juiz Gabriel Carneiro Santos Rodrigues, os elementos do caso indicam que o piloto faz parte de uma organização criminosa. "As particularidades do caso (...) permitem a conclusão de que o autuado integra organização criminosa destinada ao tráfico interestadual de drogas", afirmou. Em função desses indícios, Gabriel determinou a quebra do sigilo telemático de Henrique e a extração completa de dados dos aparelhos celulares e do telefone satelital apreendidos pela polícia.

Perguntas Frequentes

O piloto tinha antecedentes criminais?

Não. De acordo com a Justiça, Henrique não possui registro de antecedentes criminais. Ele é réu primário.

Quanto o piloto recebia por viagem?

Segundo o coronel Heber Souza Bastos, Henrique disse que receberia R$ 70 mil por viagem. Esta era a terceira viagem contratada.

O que aconteceu com os familiares que ajudaram na fuga?

O pai, a esposa e um amigo de Henrique foram levados para a delegacia da Polícia Federal de Jataí. O g1 não conseguiu informações se foram mantidos presos ou liberados.

O que a Justiça determinou sobre o caso?

O juiz Gabriel Carneiro Santos Rodrigues manteve o piloto preso e determinou a quebra do sigilo telemático e a extração de dados dos aparelhos celulares e do telefone satelital apreendidos.

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Otávio Bensaúde

Editoria Virais

Otávio Bensaúde cobre o setor de meios de pagamento e crédito no Bombou na Web. Análises técnicas, sem viés comercial.