A geração nascida em 1993 em Pelotas, no Sul do RS, chega aos 30 anos com mais anos de estudo e maior participação no mercado de trabalho, mas também com índices mais elevados de obesidade, transtornos mentais comuns e exposição ao tabagismo. É o que apontam novos resultados da Coorte de Nascimentos de 1993, pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), que acompanha os participantes desde os primeiros dias de vida.
Na etapa mais recente, 3.333 pessoas foram entrevistadas aos 30 anos. Segundo a coordenadora da Coorte de 1993, Helen Gonçalves, os resultados revelam mudanças rápidas nas condições de vida da população e seus reflexos na saúde. "Os dados mostram uma geração que chegou aos 30 anos com conquistas importantes em educação e trabalho, mas também com uma carga crescente de fatores de risco para a saúde", afirma.
Entre os 22 e os 30 anos, a média de anos de estudo aumentou de 9,8 para 10,3. As mulheres apresentaram indicadores educacionais superiores aos dos homens: quase metade delas (48,4%) alcançou 12 anos ou mais de escolaridade formal, enquanto entre os homens o percentual ficou em 38,1%.
O estudo aponta um contraste: as conquistas sociais não vieram acompanhadas de melhorias proporcionais na saúde. A obesidade, os transtornos mentais comuns e o tabagismo aparecem como fatores de risco que ganharam espaço nessa faixa etária. A pesquisa da UFPel segue como uma das poucas no país a acompanhar uma geração inteira desde o nascimento, o que permite observar essas transições de perto.
Os números reforçam a necessidade de políticas públicas que olhem para a saúde dessa geração, não só para o seu desempenho educacional ou profissional. Acompanhar esses indicadores ao longo do tempo ajuda a entender como as condições de vida se transformam e o que isso significa para o bem-estar da população.