Ronco pode indicar apneia do sono, condição que aumenta risco de problemas cardiovasculares e até morte, apontam especialistas
Roncar durante o sono é um hábito comum entre os brasileiros, mas nem sempre é inofensivo. De acordo com o Ministério da Saúde, cerca de 40% da população ronca enquanto dorme. Apesar de muitas pessoas encararem a condição como algo comum, ela pode ser um sinal de alerta para a apneia obstrutiva do sono, doença que provoca interrupções repetidas da respiração durante o sono. Em alguns casos, as pausas respiratórias duram mais de dez segundos e podem trazer consequências graves para a saúde, como aumento do risco de doenças cardiovasculares e até morte, segundo o médico otorrinolaringologista José Otávio Ayres.
O que é a apneia obstrutiva do sono
A apneia obstrutiva do sono é uma condição em que a via aérea superior colapsa repetidamente durante o sono, bloqueando a passagem de ar. O cérebro então acorda brevemente para retomar a respiração, o que fragmenta o sono e reduz a oxigenação do sangue. Essas pausas respiratórias, que podem durar mais de dez segundos, são o principal marcador da doença.
Diferença entre ronco simples e apneia
Nem todo ronco é apneia. O ronco simples ocorre quando há vibração dos tecidos da garganta durante a respiração, sem obstrução significativa. Já na apneia, o ronco é interrompido por pausas na respiração, seguidas de um resfolego ou engasgo quando a respiração retorna. Se você ou um parceiro de cama percebe esse padrão, é importante buscar avaliação médica.
Por que o ronco merece atenção médica
"As pessoas fazem piada com o ronco, mas o ronco é um problema muito sério, não é piada", alerta o otorrinolaringologista José Otávio Ayres. "Quando você está roncando e tem uma apneia, o seu organismo entende como se alguém estivesse te sufocando. Isso gera um estresse no organismo, liberando substâncias do estresse."
Essas substâncias, como cortisol e adrenalina, são liberadas repetidamente durante a noite, sobrecarregando o sistema cardiovascular. Com o tempo, o estresse crônico causado pela apneia pode levar a hipertensão, arritmias, infarto e acidente vascular cerebral (AVC).
Riscos cardiovasculares da apneia não tratada
O principal risco associado à apneia obstrutiva do sono é o aumento de doenças cardiovasculares. A cada pausa respiratória, a pressão arterial sobe e o coração precisa trabalhar mais para bombear sangue. Em longo prazo, isso pode danificar as artérias e o músculo cardíaco.
Estudos mostram que pessoas com apneia moderada a grave têm até três vezes mais risco de desenvolver hipertensão. Além disso, a condição está associada a maior incidência de fibrilação atrial, insuficiência cardíaca e morte súbita.
Quando procurar um médico
Se você ronca frequentemente e apresenta um ou mais dos sintomas abaixo, é recomendável buscar avaliação de um otorrinolaringologista ou especialista em medicina do sono:
- Ronco alto e frequente, ouvido por outras pessoas
- Pausas na respiração durante o sono, observadas por parceiro de cama
- Acordar com sensação de sufocamento ou engasgo
- Sonolência excessiva durante o dia, mesmo após noite completa de sono
- Dor de cabeça matinal
- Dificuldade de concentração ou irritabilidade
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico da apneia obstrutiva do sono é feito por meio de um exame chamado polissonografia, que monitora a respiração, os níveis de oxigênio, os movimentos corporais e as ondas cerebrais durante o sono. O exame pode ser realizado em laboratório ou, em alguns casos, em casa com equipamento portátil.
O tratamento mais comum é o CPAP (Continuous Positive Airway Pressure), um aparelho que mantém as vias aéreas abertas durante o sono, fornecendo ar pressurizado por uma máscara. Outras opções incluem:
- Aparelhos orais que reposicionam a mandíbula
- Cirurgia para remover tecido excessivo da garganta
- Mudanças no estilo de vida, como perda de peso e evitar álcool antes de dormir
O que observar nos próximos dias
Se você se identifica com os sintomas descritos, o primeiro passo é agendar uma consulta com um otorrinolaringologista. Não ignore o ronco como algo inofensivo. O diagnóstico precoce da apneia pode prevenir complicações cardiovasculares graves e melhorar significativamente a qualidade de vida.
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Perguntas Frequentes
Roncar toda noite é normal?
Não necessariamente. Roncar frequentemente pode ser sinal de apneia obstrutiva do sono, especialmente se houver pausas na respiração. Cerca de 40% da população ronca, segundo o Ministério da Saúde, mas nem todos têm apneia.
Apneia do sono tem cura?
A apneia obstrutiva do sono não tem cura definitiva, mas tem tratamento eficaz. O uso do CPAP e outras intervenções controlam os sintomas e reduzem os riscos cardiovasculares.
Quem tem apneia pode morrer dormindo?
Sim, em casos graves não tratados, a apneia aumenta o risco de morte súbita por arritmia ou infarto durante o sono. Por isso, o diagnóstico e tratamento precoces são essenciais.
Como saber se meu ronco é apneia?
O principal sinal são pausas na respiração seguidas de engasgo ou resfolego. Se um parceiro de cama percebe esse padrão, procure um otorrinolaringologista para avaliação.
Qual médico trata apneia do sono?
O otorrinolaringologista é o especialista mais indicado para avaliar ronco e apneia. Outros profissionais, como pneumologistas e neurologistas, também podem tratar a condição.