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11 de setembro: 10 mil novos casos de câncer em um ano

ResumoO World Trade Center Health Program certificou 10.393 novos casos de câncer entre 1º de julho de 2023 e 30 de junho de 2024, segundo dados divulgados até 30 de junho. Pela primeira vez, sobreviventes civis superaram socorristas entre os diagnósticos de câncer relacionados à exposição às toxinas do atentado de 11 de setembro de 2001.

O World Trade Center Health Program certificou 10.393 novos casos de câncer em doze meses, com dados até 30 de junho. Pela primeira vez, sobreviventes civis superam socorristas entre os diagnósticos ligados ao atentado de 11 de setembro.

Otávio Bensaúde
11 de setembro: 10 mil novos casos de câncer em um ano

11 de setembro: 10 mil novos casos de câncer em um ano — Foto: Reprodução / Bombou na Web

Quase 3 mil pessoas morreram na manhã de 11 de setembro de 2001. Vinte e cinco anos depois, o número de sobreviventes e socorristas com câncer atribuído ao atentado é dezenove vezes maior: 57.044 certificações, segundo o boletim do World Trade Center Health Program divulgado em agosto de 2026, com dados até 30 de junho. Em junho de 2025, eram 48,5 mil.

O ritmo dos diagnósticos é o dado mais eloquente. De 14.711 condições certificadas no último ano, 10.393 foram cânceres, muito acima da segunda colocada, o refluxo gastroesofágico, com 1.553, e da rinossinusite crônica, com 1.410.

Certificação não é o mesmo que diagnóstico. Significa que um médico do programa concluiu que a exposição ao 11 de setembro foi provavelmente um fator relevante para causar ou agravar a doença, decisão que garante tratamento gratuito.

Por que a poeira do Ground Zero provoca tumores

A conta não se limita a quem estava dentro dos prédios. Bombeiros, policiais, voluntários, moradores da vizinhança e trabalhadores do entorno respiraram a mesma nuvem liberada pelo colapso das torres, uma mistura de cimento pulverizado, asbestos, fumaça e combustível queimado.

O oncologista Stephen Stefani, da Oncoclínicas e da Americas Health Foundation, explica que o efeito não aparece de imediato porque atua sobre um processo contínuo do organismo.

"A exposição a agentes como asbestos, benzeno, sílica e chumbo desarma justamente esse sistema de correção: as mutações passam a se multiplicar sem freio, e o tumor encontra espaço para se formar", diz.

Experimentos com camundongos expostos ao pó do World Trade Center reforçaram a hipótese, com inflamação mais intensa e ativação de genes ligados à multiplicação celular descontrolada.

Sobreviventes civis superam socorristas

Durante anos, os socorristas concentraram a maior parte dos diagnósticos. Esse desenho mudou: as certificações somam 28.913 entre sobreviventes civis e 28.131 entre quem atuou no resgate e na limpeza. É a primeira vez que o grupo de moradores, estudantes e trabalhadores da região aparece à frente.

O programa segue recebendo novos inscritos, 2.096 no primeiro trimestre de 2026 e 2.180 no segundo, e a categoria de sobreviventes é hoje a principal fonte de novas inscrições. Os tumores associados à exposição têm períodos de latência longos: só agora parte dessa população chega à idade e ao tempo de incubação em que a doença se manifesta.

Entre os inscritos vivos, a lista é encabeçada por tumores de pele: 18,38 mil certificações de câncer de pele não melanoma, 13,17 mil de próstata e 4,83 mil de mama feminina.

O World Trade Center Health Program é um programa federal de saúde bancado pelo governo americano, administrado pelo Instituto Nacional de Segurança e Saúde Ocupacional (NIOSH), ligado aos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC). Nasceu do James Zadroga 9/11 Health and Compensation Act, sancionado em 2 de janeiro de 2011.

Nos próximos meses, o que observar é a velocidade das novas inscrições de sobreviventes civis e se a inversão entre os dois grupos se consolida nos boletins seguintes.

Otávio Bensaúde

Editoria Curiosidades

Otávio Bensaúde cobre o setor de meios de pagamento e crédito no Bombou na Web. Análises técnicas, sem viés comercial.

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