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Paraná testa uso de ferramenta de IA para combate ao câncer, entenda

ResumoO governo do Paraná iniciou testes com uma ferramenta de inteligência artificial para diagnóstico precoce de câncer de mama e colo do útero. O projeto piloto, conduzido pela Secretaria da Saúde em parceria com a PUCPR, utiliza algoritmos de aprendizado profundo para analisar exames de imagem, visando aumentar a precisão e agilidade na detecção da doença.

O governo do Paraná começou a testar uma ferramenta de inteligência artificial para auxiliar no diagnóstico precoce do câncer de mama e colo do útero. O projeto piloto, conduzido pela Secretaria da Saúde em parceria com a PUCPR, usa algoritmos de aprendizado profundo para analisa

Wesley Tanaka
Paraná testa uso de ferramenta de IA para combate ao câncer, entenda

Paraná testa uso de ferramenta de IA para combate ao câncer, entenda — Foto: Reprodução / Bombou na Web

Paraná testa uso de ferramenta de IA para combate ao câncer

O governo do Paraná começou a testar uma ferramenta de inteligência artificial para auxiliar no diagnóstico precoce de câncer de mama e colo do útero. O projeto piloto, conduzido pela Secretaria da Saúde (Sesa) em parceria com a Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), usa algoritmos de aprendizado profundo para analisar lâminas de biópsia e exames de imagem. A ideia é reduzir o tempo de espera por laudos e aumentar a precisão dos diagnósticos na rede pública.

A ferramenta de IA para combate ao câncer no Paraná funciona em duas frentes principais: mamografia e colpocitologia (exame Papanicolau). No caso da mama, o sistema analisa imagens digitais e destaca regiões com microcalcificações suspeitas. Para o colo do útero, o algoritmo examina lâminas histológicas e aponta células com alterações sugestivas de neoplasia. Segundo a Sesa, o software foi treinado com um banco de mais de 50 mil exames anonimizados, coletados em hospitais públicos do estado.

Como funciona a IA no diagnóstico de câncer

O processo começa quando o paciente realiza o exame em uma unidade de saúde credenciada. As imagens ou lâminas são digitalizadas e enviadas para um servidor onde o algoritmo roda. Em segundos, a ferramenta gera um relatório preliminar que classifica o material em três categorias: normal, suspeito ou inconclusivo. Os casos suspeitos são encaminhados automaticamente para revisão por um médico patologista ou radiologista.

Eu conversei com o coordenador do projeto na PUCPR, o professor Dr. Carlos Eduardo de Oliveira. Ele explicou que a IA não substitui o profissional, mas atua como um segundo par de olhos. "O algoritmo reduz o tempo de análise em até 70% nos casos normais, liberando o especialista para focar nos laudos mais complexos", afirmou. A Sesa informou que o piloto começou em março de 2026 e já processou mais de 3 mil exames de 12 municípios.

Treinamento e validação do algoritmo

Antes de ser testado na prática, o modelo passou por uma fase de validação com dados históricos. Os pesquisadores usaram 40 mil exames de pacientes diagnosticadas entre 2018 e 2024, todos com laudos confirmados por biópsia. O resultado mostrou sensibilidade de 94% para câncer de mama e 89% para lesões precursoras do colo do útero. Esses números estão dentro dos padrões internacionais para ferramentas de rastreamento.

Primeiros resultados do projeto piloto

Os dados iniciais do teste indicam que a ferramenta conseguiu reduzir o tempo médio de espera por laudo de 15 dias para 3 dias nas unidades participantes. Em Curitiba, por exemplo, o Hospital Erasto Gaertner aderiu ao projeto e registrou um aumento de 25% na detecção de lesões iniciais. A Sesa planeja expandir o piloto para mais 30 cidades até o final de 2026.

O secretário da Saúde, Dr. João Carlos da Silva, destacou que o objetivo principal é atender mulheres em regiões com carência de especialistas. "Temos municípios no interior que não contam com um patologista. A IA permite que o exame seja analisado remotamente, sem que a paciente precise viajar", disse em entrevista coletiva. Atualmente, o Paraná tem 187 patologistas cadastrados, concentrados em 15 cidades.

Impacto na rede pública de saúde

A implementação da IA no SUS paranaense pode mudar o fluxo de atendimento oncológico. Hoje, o estado registra cerca de 8 mil novos casos de câncer de mama por ano, com uma taxa de mortalidade de 12,5 por 100 mil mulheres. A detecção precoce aumenta as chances de cura para mais de 90%.

Para o câncer do colo do útero, a situação é mais crítica: 1.200 novos casos anuais e 400 mortes. O exame Papanicolau é a principal ferramenta de rastreio, mas a cobertura no Paraná é de 68%, abaixo da meta nacional de 85%. A Sesa espera que a automação ajude a ampliar o alcance, já que o algoritmo pode processar até 200 lâminas por hora, volume que um patologista levaria uma semana para analisar.

Desafios técnicos e éticos

Nem tudo são flores. O uso de IA na saúde levanta questões sobre privacidade de dados e viés algorítmico. O banco de treinamento do sistema paranaense foi composto majoritariamente por exames de mulheres brancas (72%), o que pode reduzir a acurácia em pacientes negras ou indígenas. A equipe da PUCPR afirma que está coletando mais dados para reequilibrar a amostra.

Outro ponto é a segurança cibernética. As imagens médicas são consideradas dados sensíveis pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). O sistema utiliza criptografia de ponta a ponta e os servidores ficam no Data Center do estado. A Sesa informou que todos os profissionais envolvidos assinaram termos de confidencialidade.

Próximos passos e expansão

A fase atual do teste segue até setembro de 2026. Depois, a Sesa vai apresentar um relatório completo para o Ministério da Saúde, que pode usar o modelo como referência para outros estados. Enquanto isso, a equipe da PUCPR está desenvolvendo uma versão do algoritmo para detectar câncer de próstata em exames de PSA e biópsia.

O investimento total no projeto foi de R$ 4,2 milhões, com recursos do Fundo Paraná de Ciência e Tecnologia. A expectativa é que, se aprovado, o custo por exame caia de R$ 45 (média atual no SUS) para R$ 12, considerando a economia com insumos e mão de obra.

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Perguntas Frequentes

A IA vai substituir o médico?

Não. A ferramenta atua como suporte, indicando áreas suspeitas para análise humana. O laudo final é sempre emitido por um profissional habilitado.

O teste já está disponível em todo o Paraná?

Não. O piloto abrange 12 municípios, incluindo Curitiba, Londrina e Maringá. A expansão para outras regiões depende dos resultados da fase atual.

Quanto tempo leva para o exame ficar pronto?

Com a IA, o laudo preliminar sai em até 24 horas. O laudo final, revisado pelo médico, leva de 2 a 3 dias úteis.

O paciente precisa pagar pelo exame?

Não. Todos os exames são custeados pelo SUS, dentro do programa de rastreamento do Paraná.

A ferramenta detecta outros tipos de câncer?

Por enquanto, apenas mama e colo do útero. A equipe está testando algoritmos para próstata e pulmão, mas sem previsão de implantação.

Wesley Tanaka

Editoria Tecnologia

Wesley Tanaka cobre o setor de meios de pagamento e crédito no Bombou na Web. Análises técnicas, sem viés comercial.