Tarifaço de Trump: indústria diz que novas taxas ampliam as dificuldades já enfrentadas por exportadores
As novas tarifas de importação de 25% sobre o aço e 10% sobre o alumínio, anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em março de 2018, ampliam as dificuldades já enfrentadas por exportadores brasileiros. Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o setor estima perdas de US$ 1,2 bilhão ao ano, afetando diretamente a competitividade dos produtos brasileiros no mercado norte-americano.
Impacto nas exportações brasileiras de aço
O Brasil é o segundo maior fornecedor de aço para os Estados Unidos, atrás apenas do Canadá. Em 2017, o país exportou US$ 2,5 bilhões em aço para o mercado americano, de acordo com dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços. Com a nova tarifa, a expectativa é de queda de 30% a 40% nesses embarques.
Reação da indústria siderúrgica
O Instituto Aço Brasil, que representa as siderúrgicas nacionais, classificou a medida como "protecionista e injustificada". Em nota, a entidade afirmou que o Brasil não é uma ameaça à indústria americana, já que o aço brasileiro responde por apenas 3% do consumo dos EUA. Ainda assim, a tarifa de 25% deve reduzir em US$ 800 milhões as receitas do setor.
Alumínio: o segundo alvo
As exportações brasileiras de alumínio para os EUA somaram US$ 400 milhões em 2017, segundo a Associação Brasileira do Alumínio (ABAL). A tarifa de 10% deve atingir principalmente os produtores de alumínio primário, que já enfrentam custos elevados de energia e concorrência chinesa. A ABAL estima que as vendas para os EUA possam cair até 25% no curto prazo.
Setor de transformados também sofre
Empresas que exportam peças e componentes de aço e alumínio, como autopeças e máquinas, também serão afetadas. A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) calcula que o impacto indireto pode chegar a US$ 300 milhões, pois muitos produtos intermediários contêm esses metais.
Dificuldades pré-existentes dos exportadores
Antes mesmo do tarifaço, os exportadores brasileiros já enfrentavam obstáculos como a burocracia alfandegária, a infraestrutura portuária deficiente e a valorização do real frente ao dólar. Em 2017, o Brasil perdeu US$ 1,5 bilhão em exportações por causa de gargalos logísticos, segundo estudo do Ipea. A nova tarifa de Trump amplia essas dificuldades.
Custo Brasil pesa na competitividade
O chamado Custo Brasil, conjunto de ineficiências que encarece a produção, é apontado pela CNI como um agravante. Enquanto o custo logístico nos EUA representa 8% do PIB, no Brasil é de 12%, de acordo com dados do Banco Mundial. Com a tarifa adicional, o produto brasileiro se torna ainda menos competitivo.
Negociações e possíveis contramedidas
O governo brasileiro, por meio do Ministério das Relações Exteriores, já iniciou conversas com a administração Trump para tentar uma isenção. O Brasil argumenta que é um aliado comercial histórico e que o aço brasileiro não representa risco à segurança nacional, justificativa usada por Trump para impor as tarifas.
Risco de retaliação
A Câmara de Comércio Exterior (Camex) estuda medidas de retaliação, como elevar tarifas de importação de produtos americanos como whiskey, motocicletas e cosméticos. Em 2017, o Brasil importou US$ 2,8 bilhões em produtos dos EUA que podem ser alvo de sobretaxas. A indústria, no entanto, alerta que a retaliação pode prejudicar setores que dependem de insumos americanos.
O que esperar para os próximos meses
A avaliação de analistas é que o impacto será sentido gradualmente. O Banco Central estima que as exportações totais do Brasil para os EUA, que somaram US$ 27 bilhões em 2017, podem recuar entre 5% e 10% neste ano. Setores como carnes e calçados, que não são alvo direto da tarifa, também podem ser afetados por uma desaceleração geral da economia americana.
impacto do protecionismo americano no agronegócio brasileiro
Perguntas Frequentes
Quais produtos brasileiros são mais afetados pelo tarifaço de Trump?
Os mais afetados são aço e alumínio, que sofrem tarifas de 25% e 10%, respectivamente. Produtos que contêm esses metais, como autopeças e máquinas, também são impactados indiretamente.
O Brasil pode conseguir isenção das tarifas?
O governo brasileiro negocia com os EUA uma isenção, mas não há garantia. Países como Canadá e México já conseguiram isenções temporárias, mas o Brasil não é membro do Nafta.
Qual o valor total das exportações brasileiras para os EUA?
Em 2017, o Brasil exportou US$ 27 bilhões para os Estados Unidos. Desse total, US$ 2,5 bilhões eram de aço e US$ 400 milhões de alumínio.
A retaliação brasileira pode prejudicar a economia?
Sim. A Camex estuda sobretaxar produtos americanos, mas a indústria alerta que isso pode encarecer insumos e gerar inflação. O ideal, segundo economistas, é buscar acordo diplomático.
Como o tarifaço afeta o consumidor brasileiro?
Indiretamente, a redução das exportações pode desaquecer a economia e reduzir empregos. Além disso, a retaliação pode aumentar o preço de produtos importados dos EUA.