Como uma funcionária descobre que era filmada no banheiro do próprio trabalho, sem consentimento, e quais as consequências para o empregador? Em Santa Juliana, no Alto Paranaíba (MG), uma jovem de 26 anos encontrou as gravações na galeria do celular do patrão enquanto pagava por uma marmita. O caso foi registrado como importunação sexual em 29 de junho.
O empresário Hélio Borges Junior, de 53 anos, dono de uma imobiliária na cidade, é o acusado. A vítima, ex-funcionária, fez a denúncia formal. A partir dela, outras ex-funcionárias da mesma empresa procuraram a jovem para relatar que também haviam sido importunadas pelo empresário em 2023 e 2024. Os nomes das mulheres foram preservados para evitar a identificação.
A reportagem do g1 entrou em contato com o advogado de Hélio, Cássio Ernani Costa, para questionar se ele deseja se manifestar sobre os casos. Não houve resposta até a última atualização da matéria. O silêncio da defesa, até aqui, mantém em aberto a versão do acusado.
O que a fonte confirma, portanto, é uma sequência de relatos: a filmagem encontrada, a denúncia de junho e os depoimentos de outras ex-funcionárias. O que ainda falta esclarecer é se as gravações de 2023 e 2024 geraram novos registros policiais ou medidas judiciais específicas. Também não há informação sobre eventual afastamento do empresário do cargo ou sanção administrativa da imobiliária.
Para quem acompanha casos de importunação sexual no ambiente de trabalho, a lição prática é documentar tudo: prints, testemunhas e boletim de ocorrência. A lei brasileira tipifica a conduta como crime, mas a prova material, como a galeria do celular, costuma ser o diferencial na investigação. O caso segue em aberto, e a resposta da Justiça dependerá da análise das evidências e dos depoimentos.